Fase de testes
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de julho de 2013
Geraldo Bessa<br>TV Press 
Rodrigo Faro é do tipo que, quando traça um objetivo, dificilmente se desvia. Carismático e com cara de bom moço, ele poderia muito bem ter se acomodado no posto de galã de novelas globais como "O Cravo e A Rosa" e "A Padroeira". Mas ser apresentador sempre foi uma meta na vida do então ator. "Sempre quis mostrar que poderia comandar um programa. Conversei com vários diretores da Globo, mas a oportunidade nunca apareceu", lembra.
Na ânsia de se tornar comunicador, em 2008, ele trocou a Globo pela Record, onde, nas tardes de sábado, se encontrou no comando do "O Melhor do Brasil". Já estabelecido no horário, desde o último mês de junho, Faro tem passado por mais uma "prova de fogo". Ocupar o horário deixado pelo recém-demitido Gugu Liberato na programação. E enfrentar a concorrida audiência dos domingos. "Foi tudo de repente, mas não me deixei abalar pelo 'novo'. Com humildade, encarei a proposta da emissora e venho trabalhando para entregar o meu melhor nesta nova fase do 'O Melhor do Brasil'", garante.
Paulistano e corinthiano "roxo", Faro é só sorrisos ao afirmar que, aos 39 anos, está realmente no lugar que sempre quis. Sua estreia na tevê, inclusive, foi em 1987, no comando do infantojuvenil "ZYB Bom", da Band. "A tevê é um universo muito competitivo. É preciso ter determinação. Tenho esse foco desde muito novo", destaca.
Nos anos 1990 e início dos anos 2000, enveredou por personagens de tintas populares na Globo. Um bom exemplo disso é o cômico Tainha, destaque de "O Profeta", reprisado no "Vale a Pena Ver de Novo". "De vez em quando, eu dou uma olhada na novela e me divirto. Foi uma época gostosa da minha vida, mas voltar a atuar não está nos meus planos", esclarece.
Do contrato com a Record, além de participações em novelas, Faro também já esteve à frente dos "realities" "Ídolos" e "A Fazenda de Verão". No entanto, ele é categórico ao afirmar que foi no "O Melhor do Brasil" que redescobriu o prazer em fazer tevê. "Agarrei essa oportunidade com força. E acho que a chance de estar no domingo é um reflexo dessa minha dedicação", analisa.
A transferência do "O Melhor do Brasil" para as tardes de domingo ocorreu de maneira inesperada para você e sua produção. Qual o balanço que você faz desse primeiro mês no novo horário?
Agora o clima é de tranquilidade (risos). Quer dizer, quase isso. O susto inicial passou e estou começando a me sentir mais seguro. Então, o trabalho fica cada vez menos tenso e mais prazeroso. Já idealizamos quadros novos, alguns já estrearam, outros foram testados e estão recebendo os últimos ajustes. Minha equipe trabalha com a ideia de fazer um programa cada vez mais forte e que possa ser bem recebido pelo público de domingo. A audiência está respondendo bem ao que estamos mostrando.
O que mudou em sua rotina com essa alteração?
Neste novo momento, a gente resolveu investir em pautas e quadros em externa. E isso demanda tempo e dedicação. Então, tenho trabalhado muito mais e fora do estúdio. Além disso, participo ativamente de toda a produção de conteúdo do programa. É por isso que eu acho que ele tem a minha cara. Dou meus "pitacos" e luto pelas minhas ideias, mas sempre de forma humilde e respeitosa, pois um programa de tevê não é feito apenas pelo apresentador, mas por uma grande equipe.
Durante seu contrato com a Globo, de 1997 a 2008, você sempre deixou claro para a direção da emissora que gostaria de se tornar apresentador da casa e esse pedido nunca foi atendido. Depois de mostrar seu lado comunicador na Record, como você encararia a um convite para voltar à antiga emissora?
Engraçado é que surgem muitos boatos de que a Globo estaria interessada em me contratar como apresentador. Mas isso tudo fica apenas no âmbito da especulação. Nunca recebi convite ou telefonema algum. Minha vida artística começou lá, deixei as portas abertas e tenho o maior carinho pelos muitos colegas que fiz nos bastidores das novelas. Mas sei que não existe na Globo o espaço que eu gostaria como apresentador. O futuro é imponderável e nunca descarto possibilidades, caso recebesse um convite, iria analisar com calma e ver se ele atenderia aos meus objetivos artísticos.
Quais são eles?
Basicamente, quero continuar apresentando um programa no domingo. É o que me faz feliz na Record hoje. Me sinto prestigiado pela emissora e acho que isso é instigante para qualquer profissional. Conquistei meu espaço e tenho meu público. Isso me faz ver que fiz a escolha certa ao deixar a carreira de ator e, consequentemente, a Globo.
A saída de Gugu Liberato da Record evidenciou a reestruturação financeira que a emissora está passando. Como a restrição de orçamento imposta a vários programas da grade afetou "O Melhor do Brasil"?
Sei da reestruturação da empresa, mas o corte de verba não chegou ao meu programa. Até porque "O Melhor do Brasil" é uma das produções mais rentáveis da casa. E sendo uma aposta da Record aos domingos, a direção reinveste boa parte do que ganha na formatação e na produção do programa. Não tenho do que reclamar, estamos lotados de "merchandising" durante a exibição e comerciais de peso nos intervalos. E ainda existe uma fila de anunciantes querendo fazer parte disso.
Você tem autonomia para selecionar os produtos e parceiros comerciais do "O Melhor do Brasil"?
Sim. E trato esses contratos comerciais com muita seriedade. Afinal, é o meu nome que está em jogo e quero ser associado a produtos e empresas sérias. É uma via de mão dupla: vendo produtos, mas quero que eles agreguem algo positivo à minha imagem. Tenho essa preocupação de fazer um casamento perfeito e produtivo entre a marca e o meu nome. Hoje, faço muitas campanhas. E devo isso, diretamente, ao desempenho do meu programa.
Você sempre foi muito cuidadoso com sua vida pessoal e profissional. A imagem de "bom moço" ajuda na hora de fechar um contrato?
Acredito que sim. Mas minha imagem não é fabricada (risos). Tenho minha família, sou um cara normal, pé no chão, sem grandes extravagâncias. Sou acessível à imprensa e ao público, que me tratam com respeito e carinho. Acho que essa normalidade e proximidade com quem acompanha meu trabalho, além do tom popular do programa, despertam o interesse dos empresários em me ver à frente de seus produtos.
Apresentadores de programas dominicais, geralmente, recebem os maiores salários da tevê brasileira. Sua transferência para os domingos já mudou seus rendimentos ou vínculo com a Record?
(risos). Ainda não tive aumento e meu contrato continua com as mesmas bases, com vencimento em 2017. Dinheiro não me preocupa no momento. Tenho certeza que uma hora isso será conversado com a direção da emissora. Minha preocupação atual é garantir um programa de qualidade e fazer valer a aposta que a Record fez no meu nome.


