A "pinta" de galã de Fábio Assunção se mantém praticamente intacta. Ao longo dos 25 anos de carreira na televisão, o ator se acostumou a interpretar mocinhos de novelas ou vilões sedutores. Casos do Inácio, de "Força de Um Desejo", de 1999, do Eduardo, protagonista de "Coração de Estudante", de 2002, e do mau caráter Renato, de "Celebridade", exibida em 2003, entre outros exemplos. Desta vez, ele exerce função semelhante em "Totalmente Demais", próxima novela das sete da Globo. Na trama escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm, Fábio vive o "bon vivant" Arthur, dono de uma agência de modelos que mantém uma "relação sem rótulos" com Carolina, interpretada por Juliana Paes.
Natural da capital paulista, Fábio estreou na tevê em "Meu Bem, Meu Mal", exibida em 1990. De lá para cá, engatou trabalhos em tramas como "Vamp", "De Corpo e Alma", "O Rei do Gado" e "Por Amor", entre outras. Mas já fazia sete anos que o ator não integrava o elenco de um folhetim, desde que deixou "Negócio da China" para cuidar de problemas relacionados à dependência química. Em 2011, no entanto, se estabeleceu em "Tapas & Beijos", onde permaneceu por cinco temporadas.

Em "Totalmente Demais", você interpreta um típico "bon vivant". O que mais chamou sua atenção em relação ao personagem?
O meu personagem tem vários lados. Ele é um cara leve, mas tem dificuldade em se relacionar com a filha de 12 anos. Ao longo da novela, ele vai passar por uma transformação por conta disso. O Arthur também tem um relacionamento de mais de 10 anos com a Carolina (Juliana Paes), que é um relacionamento diferente, onde os dois se provocam e têm seus próprios jogos. Acho que isso é algo até muito contemporâneo, muito do nosso cotidiano. E é interessante porque traz humor.

E como esse humor se desenvolve entre o casal?
É mais uma possibilidade de jogo em cena bacana. Não sei se eu e a Juliana fazemos a parte mais engraçada da história, mas certamente existe uma boa dose de humor entre os personagens. Trata-se de um casal que se provoca bastante, o que acho que pode render várias situações inusitadas e divertidas.

De alguma forma, a experiência que você teve com comédia em "Tapas & Beijos" ajuda seu trabalho em "Totalmente Demais"?
Sim. A experiência que tive em "Tapas & Beijos" eu vou levar para a minha vida. Lá, aprendi demais porque era um elenco afiado, que improvisava muito em cena. Fizemos cinco temporadas e nós confiávamos um no outro. E essa confiança interfere quando você está trocando em cena, a sua relação com a pessoa influencia na cena. Acho que herdei do "Tapas" um pouco de inteligência crítica, de humor, comédia sem precisar ficar fazendo palhaçada, sem precisar fazer coisas engraçadas. A ter o humor pelo humor. Era muito improviso e acho que estou usando isso principalmente com a Juliana.

Desde que você estreou na tevê, construiu uma carreira permeada por papéis de galã. Como você enxerga esse "rótulo" que ainda o acompanha?
Acho que é um privilégio. Porque, ao longo da vida, eu pude variar, fazer personagens que não eram do bem, que eram vilões. Nesses últimos anos, pude dirigir duas peças. Mas me acho bonito às vezes. Às vezes, não (risos). E acho que 44 anos é uma idade ótima, de muita maturidade, inclusive. Eu não pego um personagem porque vai me colocar na posição de galã ou de qualquer outra coisa. Faço porque tenho prazer em trabalhar.

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