Em um papel, uma menininha. Meses depois, em outra novela, um mulherão. Essa mudança drástica por que passam parte das atrizes tem sido cada vez mais comum na tevê. De personagens infantis, uma considerável fatia das atrizes parte, em pouco espaço de tempo, para papéis mais sensuais, normalmente até com figurinos ousados, muita maquiagem e fartos cabelões. Neste salto da infância ou pré-adolescência para uma fase mais adulta, algumas sentem dificuldades para se encaixar e se adaptar a alguns personagens que pareçam ter menos ou mais idade e que se distanciam da realidade em que vivem.
Bruna Marquezine, por exemplo, que vive a ex-Miss Belezinha em ''Aquele Beijo'', na Globo, passou por isso em sua última trama na emissora, quando interpretava a lúdica Terezinha em ''Araguaia''. Nesse trabalho, em que a atriz já media 1,70 m de altura, a produção da trama tinha de ''esconder'' Bruna em figurinos de vestidinhos estampados e fechados até o pescoço para disfarçar as formas da atriz. Além disso, ela não podia entrar com nenhum tipo de maquiagem em cena.
''Era muito complicado. Qualquer maquiagem me transformava em mulher. Diziam que eu parecia muito adulta para a personagem. A produção surtava no estúdio. Agora a Belezinha já é mais adequada para minha idade, mas ela vive conflitos que nunca passei'', avalia a atriz de 16 anos.
Um desses conflitos é a gravidez na adolescência, coisa que nem passa pela cabeça de Bruna. O mesmo aconteceu com Marina Ruy Barbosa em ''Morde & Assopra''. A atriz, que antes da trama começar havia sido escalada para uma personagem mais jovem, teve de encarar a antipática Alice, uma personagem bem mais velha que a atriz de 16 anos, que até se casava na história de Walcyr Carrasco.
Marina, que em ''Escrito nas Estrelas'' vivia uma adolescente com crises infantis, na trama seguinte apareceu como uma mulher sensual, com figurinos justos, curtos e saltos altíssimos. ''É uma composição diferente quando você não vive no universo que retrata sua personagem. Com a Alice foi assim'', avalia Marina.
Já Pérola Faria, que vive a audaciosa Vitória em ''Rebelde'', na Record, mudou completamente de um papel para o outro. Depois de viver a serelepe Juliana, em ''Bela, A Feia'', Pérola pegou pesado nas aulas de spinning e musculação, passou a malhar cinco vezes por semana e, quando estreou em ''Rebelde'', surpreendeu. Apareceu com o corpo delineado e exposto com as saias curtíssimas do figurino de sua personagem atirada, que dava em cima de todos os personagens masculinos no início da história. ''Foi complicado porque eu sou tímida, menininha. Sou muito na minha e a personagem chegou a se jogar de calcinha e sutiã na piscina'', ressalta.
Para a psicóloga Maria Nunes Dias, as novelas só refletem as mudanças súbitas que muitas meninas passam nessa idade. ''Em um ano, elas brincam de boneca. No ano seguinte, colocam um salto, perdem a virgindade e vão para a noite. Não existe mais um processo de adaptação da infância para a adolescência, que muitas vezes já é encarada como fase adulta'', analisa.
Nessa trajetória comandada pelos hormônios, a atriz Marcela Barrozo acabou fazendo o caminho oposto com sua atual personagem em ''Vidas em Jogo'', da Record. A atriz de 20 anos assume que levou um susto quando foi chamada para viver uma menina de 15 anos. Acostumada a aparentar menos idade por suas feições delicadas, Marcela teve de se ''infantilizar'' para a personagem, como relembrar as rebeldias da idade e suas intermináveis brigas com a mãe. ''Todo mundo já passou por isso, né? Mas eu não queria ter rosto de 15 anos. Preferia aparentar ser mais velha porque já tenho 20. Vou ter de ficar fazendo papel de menininha por muito tempo com essa cara que eu tenho'', acredita, aos risos.

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