A tevê aberta trata mal os fãs de seriados. Não costuma respeitar cronologias, põe e tira episódios da programação, que depois são repetidos até cansar. O SBT e a Record desrespeitam fiéis seguidores de séries como ''Cold Case'', da primeira emissora, e ''House'', da segunda, entre outros, numa confusão de temporadas que faz muita gente migrar para o canal pago e para internet. Hoje o que se ''baixa'' de seriado não é brincadeira e a demora das emissoras em levar ao ar os seriados leva mais gente para o ''download''. Caso de ''Heroes'', que estreou semana passada a quarta temporada no Universal Channel, e do idolatrado Lost'', que chegou semana passada à Globo. O canal pago AXN deve exibir a sexta e última - por enquanto - temporada dos prisioneiros da ilha.
A febre pelos seriados provocou mudanças radicais na programação da tevê. E fora dela também, inclusive em temas e em assuntos aparentemente mais sérios, como o discurso anual do presidente dos Estados Unidos, marcado para o próximo 2 de fevereiro, quando a ABC agendou a estreia de ''Lost''. Obama teve de arrumar outro dia.
Com uma história confusa, que mistura viagens no tempo, complôs inverossímeis e personagens cheios de esqueletos no armário - a ''heroína'' Kate, por exemplo, dinamitou o padastro violento, ''Lost'' é uma das séries mais acompanhadas da atualidade. Seu grande trunfo parece ser exatamente a trama claustrofóbica e incoerente, já comparada ao desenho ''Caverna do Dragão'' e à série ''trash'' ''Mundo Perdido''.
Por aqui, o SBT acertou a mão ao trocar alguns de seus seriados da madrugada para as 21h15 e passou a garantir, com ''Sobrenatural'', bons pontos de audiência. Como o SBT ainda não tem a quinta temporada - fartamente anunciada para ''download'' na internet, deve entrar em breve na programação a inédita na tevê aberta ''Gossip Girl'', sobre a vida de adolescentes ricos em Nova Iorque.
Depois de altos e baixos com a audiência, ''Heroes'' chega à quarta temporada, ou ''quinto volume'', já que no ano passado teve duas temporadas espremidas em uma. ''Heroes'' é mais um produto da onda de filmes e seriados de super-heróis que as tecnologias digitais proporcionaram à indústria do entretenimento. A onipresença do digital - e os efeitos especiais que a manipulação da imagem proporciona - sugerem mais do que uma moda, mas um ''estilo de época'', presente em praticamente toda a produção audiovisual contemporânea. Com a promessa da tevê e dos computadores em três dimensões, o digital apenas começou.

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