Egidio Brizola
Enviado ao Paraguai
Ayolas fica localizada no Departamento de Misiones, um dos 17 do sistema administrativo da República do Paraguai. A capital do departamento é San Juan Bautista. A história do pueblo é comum aos ajuntamentos surgidos com a chegada dos jesuítas espanhóis ao Paraguai em meados do séxulo XVI, fundando as missões do Rio da Prata, da qual dependiam grandes reduções indígenas como a de Santa Maria la Mayor, San Ignacio Guazú, San Ignacio Miní, San Cosme y Damian y Santiago. A redução de Santa Maria foi mãe de muitas cidades, dentre elas San José Mi, depois Coratey e hoje Juan de Ayolas - homenagem a um navegador e aventureiro espanhol.
Na véspera do mês de comemoração do seu centenário, e 14 anos depois do término da maior obra que aconteceu no local, a Hidrelétrica de Yaciretá, Ayolas continua clamando por necessidades impossíveis de ser alcançadas em consequência do baixo resultado de arrecadação, que não passa dos US$ 130 mil por ano. ‘‘É muito pouco’’, reclama o intendente municipal Juan R. Espinola. ‘‘É um problema político’’, ajuda o empresário Victor Hugo Morel Spinazi, ex-deputado estadual.
No período da construção de Yaciretá, a binacional paraguaio-argentina estabeleceu em Ayolas o rebuliço normal dos barrageiros, mudou a paisagem e injetou recursos. A população, que era de 6 mil, saltou para 20 mil pessoas. Hoje está em torno de 12 mil.
Mas Yaciretá terminou, e Ayolas voltou a ser jogada no esquecimento de quem está no fim da linha Sudoeste do país. Apenas agora é que o empreendimento Paraguai-Argentina vai iniciar um programa de repasse de royalties para atingidos. Ayolas vai receber cerca de US$ 500 milhões em cinco anos, a partir de 2001; depois do sexto ano, US$ 1 milhão por ano.
Enquanto espera, Ayolas não esquece, todavia, de manter suas tradições e conhece o tamanho de sua responsabilidade na conservação de seu maior potencial: a pesca no Paranazão. Segundo eles, ali está o ‘‘melhor centro pesqueiro da América do Sul’’.
Um dos que têm essa preocupação e que as transformou numa associação que trabalha neste sentido é o pescador profissional Luiz, um paraguaio de Salto del Guayrá que fala português absolutamente sem sotaque. ‘‘Se não conservármos nosso patrimônio natural, que é a fartura de peixes, não deixaremos nada para o futuro’’, diz Luiz.
Junto com a pesca, que rende 80% da receita de Ayolas, o turismo da região também tem bom potencial. A 60 quilômetros, as ruínas de San Cosme y San Damian atraem visitantes. Por R$ 5, a guia explica que os primeiros registros da presença jesuíta na área datam de 1632. A redução foi feliz de 1760 a 1767, quando cerca de 3 mil pessoas viveram ali.
As duas colunas de pedra da entrada permanecem em pé, altivas. Duas alas principais do colégio foram restauradas nos anos 80, mantendo em seu interior a igreja dos dois irmãos santos da Igreja Católica, representados, bem como outros, por esculturas indígenas recuperadas.
No pátio, um relógio de sol original contempla quase 300 anos da sofrida história do povo guarani, do tempo da primeira experiência socialista da América - que terminou com a extinção da Companhia de Jesus pelo papa, em 1777. O verso Anahy, as harpas sentidas soluçam arpejos que são para ti, da canção popular paraguaia, parece ecoar no pátio do colégio e na pátria guarani, representando a lembrança das lutas e da morte.Junto com a pesca, que rende 80% da receita do município, o turismo da região também tem bom potencial
Fotos: Aurélio Carlos AlbanoHISTÓRIARuínas de San Cosme y San Damian: primeiros registros da presença jesuíta na área datam de 1632A redução foi feliz de 1760 a 1767, quando cerca de 3 mil pessoas viveram ali

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