É comum o grande público associar as animações ao público infantil, já que a maioria dessas produções é mesmo destinada aos baixinhos. No entanto, é sabido de longa data que muitas ultrapassam a superfície do entretenimento fácil e buscam também a diversão de uma audiência mais larga, incluindo os adultos. Esse é o caso de ''Rango'', que estreia hoje e agrada por ser um faroeste cômico pra nenhum blockbuster colocar defeito.
''Rango'' começa meio sem sentido, com um espirituoso lagarto fazendo uma oficina de teatro dentro de um aquário. Em um sequência hilária (em que até mesmo o falecido jornalista Hunter Thompson faz uma divertida aparição), o bichinho cai em algum lugar entre o deserto e Las Vegas e precisa se acostumar à sobrevivência na natureza selvagem, bem diferente da comodidade solitária de seu antigo ambiente doméstico.
O início aparentemente desconexo vai dando lugar, sutilmente, à aventura cômica ambientada em atmosfera western moderna. O lagarto, ao chegar em um vilarejo digno de qualquer faroeste, com direito a bar sujo e figuras desdentadas e mal-encaradas, acaba utilizando de sua habilidade em se adaptar para encarnar um personagem durão, Rango. E assim, meio como ''herói por acidente'', torna-se um atrapalhado líder local, que vai precisar se superar para assumir a vocação que lhe foi conferida.
Antes de mais nada, é preciso lembrar que o diretor é Gore Verbinski (de ''Piratas no Caribe'') e o elenco de dubladores conta com Johnny Depp (a fase inicial de Rango, aliás, lembra um pouco Depp no papel de Hunter Thompson em ''Medo e Delírio em Las Vegas''), Isla Fischer (de ''Delírios de Consumo de Becky Bloom''), Abigail Breslin (a menininha do ''filme da kombi'', ''Pequena Miss Sunshine''), entre outros. Alguns diálogos obviamente se diluem na versão nacional, porém, esta não chega a ser ruim, pelo contrário, corre o risco de ser tão boa quanto a original.
O que mais chama a atenção na direção de Verbiski é que ele consegue manter o ritmo sobre um roteiro interessante, que, apesar de previsível, é cheio de pequenos momentos cômicos, bem dosados. O cineasta também lida bem com os momentos de ação e superestima a audiência, deixando tanto os jovens como os adultos à vontade na projeção. É generoso com ambos os tipos de público, desde sequências nonsense até o ''humor físico'' pastelão. Essa sofisticação está presente também nas imagens, que em alguns momentos transitam entre os desenhos computadorizados convencionais até vislumbres de poesia visual, flertando com o surreal.
''Rango'' chegou de mansinho em época pós-Oscar e é uma das boas opções de entretenimento no Carnaval. Assim como aconteceu com ''Toy Story 3'' no ano passado, não deve nada e até mesmo pode superar os grandes blockbusters da temporada.

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