Fanzines para ajudar a refletir
Apenas uma folha de papel sulfite e uma ideia na cabeça foram suficientes para que a professora de artes da Escola Municipal Reverendo Odilon Gonçalves Nocetti, Cristiane Takahara, colocasse em prática um projeto de fanzine trazido por uma aluna do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). "Antes de iniciarmos a confecção do material, porém, trabalhamos com questões como valores éticos, regras de convivência, limites, respeito ao próximo e a utilização do espaço público. Em seguida, a ideia da gentileza se tornou viável, justamente pelo tipo de comportamento que as crianças apresentavam", explica. A escola recebe muitos alunos de bairros com altos índices de violência em Londrina.
Segundo ela, inicialmente, foi um semestre de atividades com o tema gentileza. "Eles começaram a policiar mais suas atitudes neste período. Foi importante para perceberem como é fácil agir da maneira contrária, ou seja, não ser gentil no dia a dia. Assim, entenderam que a gentileza parte deles. E, acima de tudo, que a gentileza é contagiante", declara. Ao mesmo tempo, de acordo com Cristiane, incutir que a atitude deve ser gratuita, sem esperar nada em troca, do contrário, torna-se uma obrigação. "Eles compreenderam que gentileza é uma opção. Temos a escolha de sermos ou não gentis."
Dessa forma, a filosofia da gentileza foi ganhando corpo até que as crianças pudessem entender que se trata de uma filosofia de vida. "A gentileza pode ser praticada todos os dias em qualquer lugar. Além disso, ao contrário do que esperamos, podemos receber uma grosseria. Isso, entretanto, não pode ser motivo para desistir; é preciso ser resiliente", defende.
Para a produção dos fanzines, as crianças colocaram no papel aquilo que acreditavam representar a gentileza. O resultado foram os mais variados exemplos na vida cotidiana dos pequenos, ilustrado com desenhos e frases. "Fizemos várias cópias desse material e distribuímos com uma flor branca no campus da UEL", lembra. A ação, para a professora, foi fundamental para que os alunos visualizassem como a ideia deles podia ser difundida. "Eles perceberam que a sua ideia pode ir para onde quiser; não há limites. E, principalmente, que não é o valor em dinheiro, mas a ideia em si", orgulha-se, complementando que qualquer tema pode ser trabalhado da mesma maneira e, posteriormente, colocado nos fanzines. (M.T.)





