Uma das possibilidades de plena liberdade opinativa, refúgio em que os fãs podem exercitar culto ilimitado aos seus ídolos, o fanzine, símbolo máximo da imprensa alternativa, amplia-se a novos horizontes. A versão impressa, geralmente copiada ‘‘na raça’’, com pouco dinheiro e muito suor, ganha uma irmã com os mesmos atrativos, mas que se sobressai por atingir um público maior e custar bem menos: a internet.
Em Londrina, ao menos dois fanzineiros já criaram a versão de suas revistas para a web. Cientista, autor de zines desde 1987 (quando lançou ‘‘Coletiva Canto Cítrico’’), há quase dois anos mantém o HC Scene na rede mundial de computadores: ‘‘É bom porque facilita a divulgação, e fica mais fácil e mais barato para manter contatos’’. Criado em 1996, o HC Scene tem a sua edição anual distribuída por todo o País e traz um encarte com um CD que apresenta cerca de 30 bandas novas. A distribuição da versão impressa é feita por mala direta, e o zine tem custo aproximado de R$ 10,00. O endereço eletrônico é www.pagina.d/hcscene.
Quem também ganhou versão virtual foi o ‘‘Imaginary Friends’’, zine criado e mantido por Alexandre Barroso e Leonel Luperini há quatro anos. Desde maio do ano passado, a versão impressa tem seu paralelo no endereço www.imaginaryfriends.cjb.net.
‘‘A vantagem é que na Internet nosso fanzine é colorido’’ observa Barroso, entusiasta da música underground. Mesmo chegando a um público que não teria acesso à versão impressa, Barroso tem algumas ressalvas em relação à web: ‘‘Muita gente gosta mesmo é do papel, do fanzine impresso. Na net, é tudo muito frio, tem gente que gosta de tocar o papel’’. A liberdade de expressão possibilita uma grande diversificação de assuntos. No site do ‘‘Imaginary Friends’’, há um panorama sobre as bandas independentes do cenário alternativo, um comentário descontraído sobre a recente adaptação para as telonas do romance ‘‘Alta Fidelidade’’ de Nick Hornby e uma sensata crítica ao que vem sendo produzido pelo cinema brasileiro. Tudo de graça e sem as amarras da grande imprensa.
Em Curitiba, um grupo de jovens entre 18 e 20 e poucos anos, saudoso dos ‘velhos’ fanzines que marcaram sua adolescência, lançaram no mês passado o ‘‘Spam Zine’’, em versão única para a web. O título é uma brincadeira sobre os lixos que infestam as caixas postais (spam) e o fanzine (expressão inglesa que significa fanático por magazine, revista). Editado pelo jornalista Ricardo Sabbag, de Curitiba, e pelo estudante de jornalismo de São Paulo Alexandre Inagaki, poderá ser acessado através do endereço eletrônico http://www.spamzine.cjb.net.
Assim como estes jovens querem falar a um público cada vez mais amplo, o zine está aberto a agregar mais e mais gente. ‘‘Quem faz o Spam Zine acredita na Internet como um meio democrático, em que novos autores podem divulgar suas idéias’’, comenta Sabbag. A intenção deste projeto, afirma o jornalista, ‘‘é aumentar o número de produtos ligados à literatura e à arte, assim como chamar a atenção para a participação do público’’.
Colaborou Zeca Corrêa Leite, de Curitiba.

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