Luiza Dantas/Carta Z NotíciasMarcelo Tás: ‘‘Não quero criar uma situação embaraçosa para ninguém’’O videomaker e diretor Marcelo Tás inaugura hoje um novo quadro no ‘‘Fantástico’’. Batizado de ‘‘Fora do Ar’’, o quadro vai mostrar como é gerada e transmitida a notícia. ‘‘Nossa intenção é dar uma esmiuçada na fabricação das informações’’, explica Marcelo. Com a supervisão de Guel Arraes, o ‘‘Fora do Ar’’ vai ter uma abordagem jornalística, mas com uma generosa pitada de humor. A idéia é ver o lado do consumidor que a toda hora é bombardeado de informações. ‘‘Hoje o volume de notícias é maior que o tempo disponível das pessoas’’, acrescenta o diretor.
Na estréia, Marcelo dedicou o quadro ao teleprompter, aparelho que mostra os textos que serão lidos no ar por apresentadores e políticos em programas eleitorais, por exemplo. A idéia do diretor era transformar pessoas que não têm familiaridade com o aparelho em supostos experts em assuntos um tanto complexos. Para a experiência, convidou artistas e pessoas comuns. Carla Perez falou de física, a dupla Claudinho e Bochecha sobre botânica e Valéria Valença discursou sobre globalização. ‘‘Vamos mostrar como é fácil fabricar um fenômeno de massa’’, afirma Marcelo. A cada semana o ‘‘Fora do Ar’’ vai abordar um assunto novo e tentar provar, através de experiências e depoimentos, uma teoria lançada por Marcelo.
Dirigido por Luis Felipe de Sá, o quadro - que vai ocupar cerca de seis minutos dentro do ‘‘Fantástico’’ - também vai utilizar diferentes recursos gráficos. O responsável pelos efeitos é o também videomaker Éder Santos, parceiro antigo de Marcelo Tás. ‘‘Vamos abusar das composições de imagens’’, diz Éder com entusiasmo. O roteiro dos textos é assinado por José Roberto Torero e Maurício Arruda, além do próprio Marcelo Tás.
Para o roteiro de outro episódio do ‘‘Fora do Ar’’, Marcelo baseou-se no caso de um livro didático lançado recentemente onde não constava o estado do Piauí no mapa do Brasil. Aliada às descobertas de uma arqueóloga americana que descobriu no mesmo estado um fóssil humano de mais de 50 mil anos, a falha do livro foi o ponto de partida para uma viagem de Marcelo ao Piauí. Na Serra da Capivara, onde foi descoberto nosso ancestral, Marcelo colheu depoimentos e criou hipóteses sobre a vida do brasileiro há 50 mil anos. ‘‘Ele vivia feliz e não trabalhava quando fazia calor’’, delira o videomaker.
Em outro ‘‘Fora do Ar’’, o ‘‘Globalização’’, também com cenas gravadas no interior do Brasil, Marcelo Tás mostra que a informação não chega para todos. Dessa vez, para falar de globalização, o diretor e sua equipe foram parar na Tailândia. Mais perto que se imagina, Tailândia é uma pequena cidade situada no interior do Pará. Foi lá que Marcelo fez várias entrevistas com populares.
Mas não é só de populares, atores e músicos que vive o ‘‘Fora do Ar’’. O quadro conta também com a participação de políticos. O episódio ‘‘Sala de Espera’’, por exemplo, gira em torno de Antônio Carlos Magalhães, Presidente do Senado Federal. Impressionado com a quantidade de pessoas que procuram o senador diariamente, Marcelo decidiu mostrar a rotina na sala de espera de ACM. ‘‘Ele é o articulador político mais procurado do Congresso’’, justifica. Marcelo passou o dia inteiro à espera do senador enquanto observava as cinco secretárias que se revezam para atender a uma média de 180 telefonemas diários. ‘‘Acho que é a sala mais concorrida do País’’, acredita.
Apesar do toque de humor, Marcelo diz que o ‘‘Fora do Ar’’ não vai lembrar em nada seu personagem, o repórter Ernesto Varela de ‘‘Os Netos do Amaral’’, programa dos anos 80. Por causa das sátiras que fazia, Varela passou a ser temido pela classe política. ‘‘Não quero criar uma situação embaraçosa para ninguém’’, explica. Aproveita para dizer que o quadro também não tem nada a ver com o escracho do ‘‘Casseta & Planeta’’. Diferentemente do programa liderado pelos sete humoristas, no ‘‘Fora do Ar’’ é o próprio Marcelo quem está à frente da apresentação e reportagem. ‘‘É bem transparente: sem gags, piadas ou personagens’’, afirma.

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