Fantástico tem novo quadro
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sábado, 04 de abril de 1998
Isadora Andrade TV Press 
Luiza Dantas/Carta Z NotíciasMarcelo Tás: Não quero criar uma situação embaraçosa para ninguémO videomaker e diretor Marcelo Tás inaugura hoje um novo quadro no Fantástico. Batizado de Fora do Ar, o quadro vai mostrar como é gerada e transmitida a notícia. Nossa intenção é dar uma esmiuçada na fabricação das informações, explica Marcelo. Com a supervisão de Guel Arraes, o Fora do Ar vai ter uma abordagem jornalística, mas com uma generosa pitada de humor. A idéia é ver o lado do consumidor que a toda hora é bombardeado de informações. Hoje o volume de notícias é maior que o tempo disponível das pessoas, acrescenta o diretor.
Na estréia, Marcelo dedicou o quadro ao teleprompter, aparelho que mostra os textos que serão lidos no ar por apresentadores e políticos em programas eleitorais, por exemplo. A idéia do diretor era transformar pessoas que não têm familiaridade com o aparelho em supostos experts em assuntos um tanto complexos. Para a experiência, convidou artistas e pessoas comuns. Carla Perez falou de física, a dupla Claudinho e Bochecha sobre botânica e Valéria Valença discursou sobre globalização. Vamos mostrar como é fácil fabricar um fenômeno de massa, afirma Marcelo. A cada semana o Fora do Ar vai abordar um assunto novo e tentar provar, através de experiências e depoimentos, uma teoria lançada por Marcelo.
Dirigido por Luis Felipe de Sá, o quadro - que vai ocupar cerca de seis minutos dentro do Fantástico - também vai utilizar diferentes recursos gráficos. O responsável pelos efeitos é o também videomaker Éder Santos, parceiro antigo de Marcelo Tás. Vamos abusar das composições de imagens, diz Éder com entusiasmo. O roteiro dos textos é assinado por José Roberto Torero e Maurício Arruda, além do próprio Marcelo Tás.
Para o roteiro de outro episódio do Fora do Ar, Marcelo baseou-se no caso de um livro didático lançado recentemente onde não constava o estado do Piauí no mapa do Brasil. Aliada às descobertas de uma arqueóloga americana que descobriu no mesmo estado um fóssil humano de mais de 50 mil anos, a falha do livro foi o ponto de partida para uma viagem de Marcelo ao Piauí. Na Serra da Capivara, onde foi descoberto nosso ancestral, Marcelo colheu depoimentos e criou hipóteses sobre a vida do brasileiro há 50 mil anos. Ele vivia feliz e não trabalhava quando fazia calor, delira o videomaker.
Em outro Fora do Ar, o Globalização, também com cenas gravadas no interior do Brasil, Marcelo Tás mostra que a informação não chega para todos. Dessa vez, para falar de globalização, o diretor e sua equipe foram parar na Tailândia. Mais perto que se imagina, Tailândia é uma pequena cidade situada no interior do Pará. Foi lá que Marcelo fez várias entrevistas com populares.
Mas não é só de populares, atores e músicos que vive o Fora do Ar. O quadro conta também com a participação de políticos. O episódio Sala de Espera, por exemplo, gira em torno de Antônio Carlos Magalhães, Presidente do Senado Federal. Impressionado com a quantidade de pessoas que procuram o senador diariamente, Marcelo decidiu mostrar a rotina na sala de espera de ACM. Ele é o articulador político mais procurado do Congresso, justifica. Marcelo passou o dia inteiro à espera do senador enquanto observava as cinco secretárias que se revezam para atender a uma média de 180 telefonemas diários. Acho que é a sala mais concorrida do País, acredita.
Apesar do toque de humor, Marcelo diz que o Fora do Ar não vai lembrar em nada seu personagem, o repórter Ernesto Varela de Os Netos do Amaral, programa dos anos 80. Por causa das sátiras que fazia, Varela passou a ser temido pela classe política. Não quero criar uma situação embaraçosa para ninguém, explica. Aproveita para dizer que o quadro também não tem nada a ver com o escracho do Casseta & Planeta. Diferentemente do programa liderado pelos sete humoristas, no Fora do Ar é o próprio Marcelo quem está à frente da apresentação e reportagem. É bem transparente: sem gags, piadas ou personagens, afirma.


