São Paulo - O ponto de partida de "Visões do Passado" está longe de ser ruim.
Adrien Brody é um terapeuta que perdeu a filha há não muito tempo. Tendo mudado de cidade, atende uma série de pacientes que lhe são encaminhados por Sam Neill, espécie de tutor na profissão, até descobrir que eles existem todos no passado. Ou antes: são fantasmas.
Uma conversa com o tutor lhe revela uma hipótese terrível: ele não está lidando com uma depressão por conta da morte da filha.
Existe um fato obscuro em seu passado que foi bloqueado de sua memória: será preciso lembrá-lo e enfrentá-lo para se livrar dos fantasmas que o atormentam.
Dito isso, o filme trabalha em três registros. O primeiro é o "thriller" fantástico. A aparição de personagens que vivem nos anos 1980 durante sessões de terapia que acontecem décadas depois é bem resolvida pelo diretor e roteirista Michael Petroni.
Envolve um mistério inicial inquietante - as figuras que invadem o presente do terapeuta têm poder de sugestão.
Quando o filme degringola para um terror movido a sustos e imagens de mortos segundo a tradição (rostos deteriorados etc.), não enuncia uma evolução, mas parece apelar ao terror mais como maneira de sedução do espectador.
O terceiro movimento é o do retorno do terapeuta a sua cidade natal (estamos sempre na Austrália), onde tentará descobrir o que, afinal, tem a ver com seus fantasmas.
Esse movimento policial da trama é o mais fraco. Sendo o desenlace, aqui se manifestam todos os problemas de roteiro. Só para nomear um: o personagem de Sam Neill desaparece da história sem quê nem porquê. E ele não é um personagem qualquer.
A vantagem é que Petroni, por ser roteirista, talvez tenha ignorado as deficiências da trama e dirigido o filme inteiro com convicção. Já é uma vitória em relação à média dessa categoria de filmes, o que lhe dá certa inteireza e permite ao espectador seguir a tudo com atenção.

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