Ator mais novo a protagonizar o musical ‘‘O Fantasma da Ópera’’ – aos 25 anos. Segundo ator no mundo a interpretar este papel em duas línguas (o primeiro foi Italo Freeman, que atuou nos Estados Unidos e na Alemanha). Primeiro e único latino-americano a ser protagonista na trilogia dos musicais ‘‘O Fantasma da Ópera’’, ‘‘A Bela e a Fera’’ e ‘‘Les Misérables’’. Com 11 anos de carreira, Saulo Vasconcelos, 34 anos, é o nome mais conhecido do teatro musical brasileiro atualmente.
  O sucesso do baritenor (termo utilizado para designar quem alcança notas agudas e graves) é, como ele mesmo afirma, fruto de dedicação e senso de oportunidade. A história com a música começou cedo, aos 13 anos, quando, mesmo sem saber tocar nenhum instrumento, montou uma banda de rock. Quando estava no Ensino Médio escreveu e montou seu primeiro musical, eleito o melhor do festival da escola naquele ano. Já adulto, cantou no coro sinfônico da Universidade de Brasília e no Coro Masculino de Brasília. Aos 20 anos, Vasconcelos já havia se apresentado no Carnegie Hall, de Nova York. ‘‘Esta apresentação mudou a minha vida. A partir daí decidi me dedicar com afinco à música e ao teatro’’, conta. Antes de se tornar uma estrela dos musicais, o ator trabalhou como bancário, comprou e vendeu videogames usados, foi professor particular e representante da Amway (empresa americana cujo sistema de vendas é baseado em uma corrente boca-a-boca). A vida universitária também não foi das mais lineares, incluindo passagens pelos cursos de Química, Engenharia Civil e Economia.
  A estréia profissional nos musicais ocorreu em 1997, com ‘‘Madame Butterfly’’. Dois anos depois, ocorreu a seleção para o papel que projetou o baritenor na carreira. Reprovado para o musical ‘‘Rent’’, Vasconcelos turbinou o currículo com musicais que já teria encenado, mas que na verdade apenas conhecia muito bem. ‘‘Acreditava que deveria apresentar um baita currículo, mas a maioria dos candidatos tinha experiência em vários ramos, menos no teatro musical. Decorei as músicas e já havia assistido a vários musicais. Foi um lance de sorte’’, relembra.
  O ator acabou chamando a atenção de um membro da banca – Isaac Saul, que viria a ser o diretor musical da montagem mexicana de ‘‘O Fantasma da Ópera’’. Vasconcelos participou de uma banca internacional na Bélgica e, depois de procurar por seis países, o brasileiro foi eleito o candidato ideal a estrelar na Cidade do México o atormentado e desfigurado gênio da música apaixonado pela corista Christine, que assombra a Ópera de Paris no fim do século XIX. ‘‘Era a primeira produção do ‘‘Fantasma...’’ fora dos Estados Unidos na América. Foi um período fértil e de muito aprendizado. O país já possuía tradição em teatro musical, mas aos mesmo tempo começava a adquirir experiência em superproduções’’, afirma. Segundo Vasconcelos, o musical ficou em cartaz por um ano e meio e foi assistido por mais de um milhão de pessoas. O sucesso se repetiria em 2005, agora no Brasil, quando voltou a interpretar o personagem título do musical, obtendo grande reconhecimento da crítica especializada, o que lhe valeu indicação a prêmios com destaque para sua atuação vocal e cênica. ‘‘Estava mais maduro artisticamente nesta adaptação. Em 99 o personagem me controlava. Em 2005, eu o controlava’’, revela.
  Entre os personagens marcantes da carreira Vasconcelos destaca Judas, do musical ‘‘Jesus Christi Superstar’’, ‘‘O Barbeiro de Sevilha’’, sendo a segunda adaptação para o teatro infantil, ‘‘O Fantasma da Ópera’’ e o Inspetor Javer no espetáculo ‘‘Les Misérables’’, que marcou a estréia das grandes produções da Broadway em São Paulo. O último trabalho do ator foi o vilão Zoser no musical Aida – de Elton John e Tim Rice – que fez curta temporada em São Paulo.
  Acostumado ao palco, Vasconcelos lança-se agora a um novo desafio – o de produzir um musical. ‘‘Pela primeira vez vamos trazer Jane Eyre ao Brasil’’, conta. Criada como órfã, Jane Eyre consegue tornar-se professora e, jovem adulta, é escolhida governanta de Adele, filha ilegítima de Edward Rochester, por quem Jane acaba se apaixonando. Ele é o dono do castelo Thornfield Hall, um lugar que guarda antigos segredos que serão decisivos quando Rochester for se casar com Jane). O musical estreou na Broadway em 2000 recebendo três prêmios Tony.
  Saulo Vasconcelos estará hoje em Londrina para se apresentar em um evento fechado promovido por quatro lojas do Catuaí Shopping.

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