FANTASMA DA ÓPERA - O homem por trás da máscara
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segunda-feira, 05 de maio de 2008
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
Ator mais novo a protagonizar o musical O Fantasma da Ópera aos 25 anos. Segundo ator no mundo a interpretar este papel em duas línguas (o primeiro foi Italo Freeman, que atuou nos Estados Unidos e na Alemanha). Primeiro e único latino-americano a ser protagonista na trilogia dos musicais O Fantasma da Ópera, A Bela e a Fera e Les Misérables. Com 11 anos de carreira, Saulo Vasconcelos, 34 anos, é o nome mais conhecido do teatro musical brasileiro atualmente.
O sucesso do baritenor (termo utilizado para designar quem alcança notas agudas e graves) é, como ele mesmo afirma, fruto de dedicação e senso de oportunidade. A história com a música começou cedo, aos 13 anos, quando, mesmo sem saber tocar nenhum instrumento, montou uma banda de rock. Quando estava no Ensino Médio escreveu e montou seu primeiro musical, eleito o melhor do festival da escola naquele ano. Já adulto, cantou no coro sinfônico da Universidade de Brasília e no Coro Masculino de Brasília. Aos 20 anos, Vasconcelos já havia se apresentado no Carnegie Hall, de Nova York. Esta apresentação mudou a minha vida. A partir daí decidi me dedicar com afinco à música e ao teatro, conta. Antes de se tornar uma estrela dos musicais, o ator trabalhou como bancário, comprou e vendeu videogames usados, foi professor particular e representante da Amway (empresa americana cujo sistema de vendas é baseado em uma corrente boca-a-boca). A vida universitária também não foi das mais lineares, incluindo passagens pelos cursos de Química, Engenharia Civil e Economia.
A estréia profissional nos musicais ocorreu em 1997, com Madame Butterfly. Dois anos depois, ocorreu a seleção para o papel que projetou o baritenor na carreira. Reprovado para o musical Rent, Vasconcelos turbinou o currículo com musicais que já teria encenado, mas que na verdade apenas conhecia muito bem. Acreditava que deveria apresentar um baita currículo, mas a maioria dos candidatos tinha experiência em vários ramos, menos no teatro musical. Decorei as músicas e já havia assistido a vários musicais. Foi um lance de sorte, relembra.
O ator acabou chamando a atenção de um membro da banca Isaac Saul, que viria a ser o diretor musical da montagem mexicana de O Fantasma da Ópera. Vasconcelos participou de uma banca internacional na Bélgica e, depois de procurar por seis países, o brasileiro foi eleito o candidato ideal a estrelar na Cidade do México o atormentado e desfigurado gênio da música apaixonado pela corista Christine, que assombra a Ópera de Paris no fim do século XIX. Era a primeira produção do Fantasma... fora dos Estados Unidos na América. Foi um período fértil e de muito aprendizado. O país já possuía tradição em teatro musical, mas aos mesmo tempo começava a adquirir experiência em superproduções, afirma. Segundo Vasconcelos, o musical ficou em cartaz por um ano e meio e foi assistido por mais de um milhão de pessoas. O sucesso se repetiria em 2005, agora no Brasil, quando voltou a interpretar o personagem título do musical, obtendo grande reconhecimento da crítica especializada, o que lhe valeu indicação a prêmios com destaque para sua atuação vocal e cênica. Estava mais maduro artisticamente nesta adaptação. Em 99 o personagem me controlava. Em 2005, eu o controlava, revela.
Entre os personagens marcantes da carreira Vasconcelos destaca Judas, do musical Jesus Christi Superstar, O Barbeiro de Sevilha, sendo a segunda adaptação para o teatro infantil, O Fantasma da Ópera e o Inspetor Javer no espetáculo Les Misérables, que marcou a estréia das grandes produções da Broadway em São Paulo. O último trabalho do ator foi o vilão Zoser no musical Aida de Elton John e Tim Rice que fez curta temporada em São Paulo.
Acostumado ao palco, Vasconcelos lança-se agora a um novo desafio o de produzir um musical. Pela primeira vez vamos trazer Jane Eyre ao Brasil, conta. Criada como órfã, Jane Eyre consegue tornar-se professora e, jovem adulta, é escolhida governanta de Adele, filha ilegítima de Edward Rochester, por quem Jane acaba se apaixonando. Ele é o dono do castelo Thornfield Hall, um lugar que guarda antigos segredos que serão decisivos quando Rochester for se casar com Jane). O musical estreou na Broadway em 2000 recebendo três prêmios Tony.
Saulo Vasconcelos estará hoje em Londrina para se apresentar em um evento fechado promovido por quatro lojas do Catuaí Shopping.


