Em um passado bem distante, criaturas conhecidas como Espectros ameaçavam a realidade. Para combatê-los, surgiram os Senhores de Castelo, protetores poderosos, que, desde então, vêm mantendo a paz e prosperidade nos quatro quadrantes do Multiverso. Essa é a trama do livro ''Crônicas dos Senhores de Castelo'', escrito a quatro mãos por dois paranaenses que criaram uma complexa mitologia, ao melhor estilo de Senhor dos Anéis e Star Wars.
As crônicas nasceram bem antes do lançamento do livro. Tudo teve início na infância dos dois criadores, que hoje têm 33 anos. Gustavo Girardi, que hoje assina como G. Brasman, gosta de ler desde pequeno. Aos 9 anos já era bombardeado por quadrinhos, pelos livros da Coleção Vaga-Lume, por Isaac Asimov. ''Comecei lendo Turma da Mônica e minha mãe sempre me incentivou a ler ficção científica, ela era muito fã do Spock (da série Jornada nas Estrelas). Eu gostava muito de ler Asimov porque tudo aquilo era tão inacreditável e ao mesmo tempo não era impossível'', recorda.
Gustavo Tezelli, hoje G. Norris, teve um crescimento semelhante, começou lendo bem cedo, só que direcionado para quadrinhos de super-heróis e clássicos da literatura do século XIX, a exemplo de Agatha Christie. ''Um dia meu pai me levou para ver ''O Império Contra-Ataca'' e me impressionei com o Darth Vader, com os sabres de luz. Depois disso procurei coisas parecidas. Li ''Spharion'' e ''Escaravelho do Diabo'', da série Vaga-Lume, Agatha Christie, li até clássicos, como Dostoiévski. Joguei RPG (Role Playing Game), videogames, só não fiz cosplay'', diverte-se.
Os caminhos de ambos se cruzaram quando passaram a trabalhar juntos, há três anos. ''Começamos a falar sobre as coisas que gostamos'', lembram. Dessas conversas, saíram personagens, numa espécie de ''duelo de criatividade''.
''Começamos a criar personagens e depois começamos a escrever contos, que no começo tinham dez páginas. Depois 30. E depois 100'', diz Brasman. ''Foi aí que esse louco trouxe uma planilha de Excel com um universo completo baseado no que a gente tinha escrito'', complementa Norris.
Assim nasceu o Multiverso, um universo em que cada planeta tem, basicamente, um tema ligado a alguma influência dos criadores. Um é mais futurista, outro é mais mágico, outro mais heroico. O de ''Crônicas dos Senhores de Castelo'' une a fantasia medieval e a tecnologia steampunk e cyberpunk, de coisas parecidas com Senhor dos Anéis, Star Wars, Julio Verne, Asimov, entre outros. ''Esse livro é só um pedaço de toda uma grande história.''
O livro levou quase dez meses para ficar pronto e a publicação demorou, no total, três anos, devido às dificuldades na hora de encontrar alguma editora que acreditasse no projeto. A Base Editorial, de Curitiba, decidiu apostar na ideia e então saíram da gráfica três mil exemplares, dos quais 30% já foram comercializados.
A repercussão tem sido positiva. ''Um garoto escreveu todo empolgado dando opiniões sobre personagens. Uma mãe fez questão de entrar em contato para dizer que foi o primeiro livro que o filho dela leu sem ser obrigado'', contam. Essa boa recepção já anima os criadores a pensarem em outras linguagens, como o cinema, jogos de RPG e videogame. ''Antes pensávamos em lançar um livro a cada ano e meio e agora estamos pensando em lançar de ano em ano.''
A obra tem conquistado fãs da atual literatura infanto-juvenil. O sucesso vem da simplicidade da narrativa e, claro, da diversão. ''Tenho uma filha de 8 anos e escrevemos algo que alguma criança dessa idade possa ler, sem falar sobre sexo, valores religiosos ou políticos. Entre outras coisas, falamos um pouco sobre as falhas da sociedade'', diz a dupla. ''A gente quer diversão, entretenimento. A gente quer que as pessoas leiam e tenham interesse em saber mais sobre isso.''
SERVIÇO
■ Crônicas dos Senhores de Castelo tem 224 páginas e custa R$ 29,90. Os livros podem ser encontrados nas lojas da Livrarias Porto e Curitiba. Mais informações estão disponíveis no site www.srcastelo.com.

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