Muitas vezes o telespectador vai para o cinema esperando ver um filme de ação e acaba se decepcionando com um baita drama. E na maioria dos casos a culpa é dos promotores da película, que acabam vendendo ''gato por lebre''. Pode-se dizer que ''Coraline e o Mundo Secreto'', em cartaz a partir deste final de semana (confira programação de cinema na página 2), corre esse risco. Boa adaptação da obra de Neil Gaiman, a animação com cópias em 3D só vai decepcionar quem for às salas esperando por Tim Burton ou aventura infantil.
''Coraline'', o livro ilustrado com 160 páginas foi lançado por aqui em 2003 pela editora Rocco e narra a história da garotinha Coraline Jones, entediada e sem amigos em uma nova vizinhança. Com os pais muito ocupados para entretê-la, a menina acaba encontrando uma porta para uma realidade alternativa, em que contrapartes de seus conhecidos têm botões ao invés de olhos e sustentam um ar de felicidade perturbador.
A fantasia de horror, especialidade de Gaiman, foi levada com fidelidade às telonas por Henry Selick, responsável pelo belo design e a direção de ''O Estranho Mundo de Jack'' e ''James e o Pêssego Gigante'', ambos com roteiros de Tim Burton. Técnicas de stop motion e computação gráfica se misturam em uma deliciosa narrativa, que pode ser um pouco arrastada no início para os adultos, pois os autores precisam introduzir com detalhes o universo para os mais novos, e longo demais para os pequeninos; são 101 minutos de projeção.
O resultado agrada e a adaptação amplia o universo do livro, com um importante personagem a mais, o garoto Wybie Lovat, e uma ou outra liberdade criativa de Selick, tudo em prol de uma narrativa dinâmica, própria do cinema. O ponto negativo fica por conta da pretensão do próprio estúdio, que acaba, querendo ou não, vendendo Gaiman como um ''novo Tim Burton'' ou uma animação para crianças.
''Coraline e o Mundo Secreto'' é recomendável ao público infantil mas os pais não podem se esquecer que ainda assim é uma história com toques de horror, bem ao estilo de Gaiman. O próprio autor, diga-se de passagem, pediu para que refizessem o primeiro trailer da película, que cometia justamente o erro de divulgar a adaptação como algo completamente diferente. Digamos, mais colorido e menos cinza. O que não tem nada a ver com o autor de Sandman.

mockup