Enquanto a grande maioria das pessoas estava envolvida com as atividades de início de ano, uma trupe colocava o pé na estrada para uma ''voltinha'' de 15 mil quilômetros por países do Pacto Andino e Mercosul. Viajar foi a maneira que os Almeida, cujo patriarca reside em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, encontraram para reunir a família espalhada em diversas regiões do País para um longo convívio anual. Os seis membros da família viajam a bordo do novo caminhãozinho Ford F-350 de cabine dupla na aventura chamada Pacto de União - Resgatando Valores.
O engenheiro elétrico Elano Almeida, empresário de 51 anos, se diz estradeiro por vocação. No seu segundo casamento, Elano roda em média mil quilômetros por semana e já está na sua oitava viagem de longa duração. Muito mais do que viajar, esses projetos são para ele a oportunidade de reunir os filhos e resgatar valores individuais.
''Sempre aprendemos muito com essas viagens'', ensina. Na atual aventura serão 40 dias de convívio ''que vão permitir que as pessoas da família se conheçam melhor e aprendam a respeitar suas individualidades''. Para Elano, nada substitui a experiência de conhecer a realidade dos países da América do Sul e seus contrastes sociais e econômicos. ''É também uma oportunidade única de integração com outros povos.''
A elaboração do roteiro exigiu planejamento de seis meses onde foram estudadas as diversas possibilidades de transporte. Delano, 26 anos, o filho mais velho que reside e estuda em Mogi das Cruzes (SP), foi o responsável pela definição do modelo do veículo que seria utilizado na viagem.
O passo seguinte foi desenhar e construir a ''residência'' temporária da família sobre o chassi do caminhão. A opção foi colocar um trailer do tipo ''Camper'', uma solução entre o trailer convencional (rebocado) e o motor home, cuja casa é fundida com a cabine. Construída em alumínio (mais leve), a moradia possui cômodos e um nível de conforto razoável para os períodos de descanso. Tem TV, computador, telefonia por satélite e a navegação conta com a ajuda de um aparelho de GPS.
Uma das fases mais difíceis no planejamento do roteiro foi reunir mapas com as malhas viárias de todos os países. Delano percorreu livrarias de aeroportos, comprou exemplares de cada país e cruzou informações. Delano é responsável pela logística e também funciona como uma espécie de ''batedor'' da expedição. Usando uma moto Yamaha XT600, ele anda quilômetros à frente e passa informações através de rádio para o Ford F-350.
Partindo de Corumbá, o primeiro destino foi a Bolívia. A hospitalidade e a simpatia dos bolivianos contrastaram com a hostilidade de centenas de grevistas que reclamavam contra o aumento no preço dos combustíveis. Altitudes de até 4.500 metros foi outra experiência diferente. Todos, incluindo o caminhão e a motocicleta, sentiram os efeitos do ar rarefeito. A solução, para a família Almeida, foi seguir as recomendações médicas de mascar ou tomar chá de folha de coca.
No Peru, Cuzco foi a grande atração turística com as ruínas incas e o Vale Sagrado. ''É um lugar onde se encontra gente do mundo inteiro. Falamos com franceses, brasileiros, argentinos, americanos, colombianos, australianos, ingleses e até peruanos'', brinca Delano. A cidade possui boa estrutura turística, mas os custos são altos. O destaque deste percurso foi a visita a Machu Picchu, cidade do império inca dizimada pelos colonizadores espanhóis.
A chegada ao Chile pela costa do Pacífico e a volta a altitudes conhecidas foram comemoradas pelos Almeida. A volta ao Brasil está prevista para o fim do mês, depois de terem passado também pela Argentina, Uruguai e Paraguai. O plano é percorrer em média 400 quilômetros por dia. A família calcula um investimento de R$ 40 mil nessa aventura.

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