É tentador querer acreditar que a trajetória dos Maranho é uma fábula, história inventada ou faz de conta, realizando o sonho de toda criança em ter pais que brincam de bonecos. Porém, a família maringanense leva a brincadeira a sério e em 14 anos de carreira da Companhia Fantokids também é organizadora do Festival de Teatro de Bonecos de Maringá (Festebom), que caminha para a terceira edição em junho.
Os filhos do casal Sandro Maranho e Rô Fagundes aprenderam de berço a ''mambembar'', repetindo a tradição dos bonequeiros de pôr o pé na estrada. Cairan, 18 anos, Luara, 17 anos, Iraquitan, 13 anos, e Danilo Furlan, que há 12 anos está na companhia, descobriram cedo a arte que encantou os pais. ''Tinha uma companhia importante de bonecos em Maringá, a Pau de Fita, que não existe mais, e que fazia um trabalho muito bom. Nos encantamos com a arte e não paramos mais'', lembra Rô.
Participando dos principais festivais de bonecos do País, a Fantokids mantém um repertório de espetáculos. O mais recente é o ''Beco'', apresentado no ano passado no Festival de Curitiba. A companhia ensaia a nova montagem ''Os Três Fios de Ouro do Cabelo do Gigante'', uma adaptação dos Irmãos Grimm. ''A nossa vida desde que me lembro sempre foi entre tecidos, isopor e outros materiais com os quais fazemos os bonecos'', afirma Luara.
A jovem e o irmão Cairan contam que ainda se lembram do primeiro espetáculo da companhia, ''Aparício Galdêncio'', escrito por Rô a partir das histórias que o avô contava, aventuras mirabolantes em que cavaleiros começavam galopando e terminavam carregando o cavalo.
''Várias episódios engraçados aconteceram quando os meus filhos eram pequenos. Uma vez, a gente estava num festival em que havia artistas de vários países. Um dia no almoço, a Luara disse: 'Mãe, essa gente fala muito estranho''', lembra Rô, acrescentando que as pessoas ainda se surpreendem ao saber que a família vive exclusivamente da arte teatral.
Na oficina da família, que fica na própria casa, os bonecos ganham vida e, além das peças, se tornam artistas de comerciais de TV. Unidos no palco e na realização do Festebom, a família se desdobra para que o evento entre para o calendário cultural nacional, mas não tem sido fácil. O esforço garante uma programação com algumas das melhores companhias de bonecos como a paulistana Pia Fraus e os gaúchos do Gente Falante, que já participaram do Festival Internacional de Londrina (Filo).
Transportar o elenco das companhias visitantes no veículo da família e contar com a colaboração dos artistas que não exigem grandes cachês são algumas das soluções encontradas para realizar o festival com um orçamento de R$ 30 mil, como na edição 2008. Para o Festebom 2009, os Maranho buscam apoio. O evento deve acontecer de 8 a 15 de junho.
''Ainda não temos patrocínio para a realização do festival. Também queremos conseguir um espaço novo de oficinas permanentes de bonecos e apresentações para incentivar o desenvolvimento da arte na região. O teatro de bonecos tem características de iluminação, cenário e até acústica diferentes e precisa de um local apropriado'', afirma Rô.

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