O empreendimento de relançar toda a obra de Caetano Veloso num golpe é monumental, o que é louvável. ‘‘Todo Caetano’’, no entanto, padece de muitos problemas. O principal: chama-se ‘‘Todo Caetano - Discografia Completa’’ e não contém todos os discos do autor.
Qualquer justificativa da gravadora será insuficiente. Se um produto de R$ 400 (ou mais) faz promessas na capa e não as cumpre, isso é caso de Procon. Faltam à caixa ‘‘Temporada de Verão ao Vivo na Bahia’’ (1974), ‘‘Doces
Bárbaros’’ (1976) e ‘‘Brasil’’ (1981), dividido com João Gilberto,
Gilberto Gil e Bethânia.
Os mais preciosistas dirão: faltam ainda discos meio indefinidos - trilhas, especiais de TV etc - e lançados por outras gravadoras. Sem eles, a caixa poderia chamar no máximo ‘‘Todo Caetano na PolyGram’’. Há as questões cosméticas. O pacote parece embalagem de panetone - é Natal, devem ter pensado - e, como tal, feia, de papelão.
Guarda os 30 discos acondicionados em pobres envelopes de papel frágil/perecível, com as capas originais reproduzidas ao fundo.
Contracapas e encartes, bye-bye. O livro que a acompanha compensa - é verdade - tal pobreza.
Dirão que é em conta - comprar sua obra CD por CD custaria uns R$ 600, e não os R$ 400 prometidos pela PolyGram. Ora, ambas são cifras de elite. É muito dinheiro, e, sinceramente, a caixa de panetone não paga o investimento. De qualquer forma, o lançamento inaugura um novo - e ousado - formato: disposta em estilo fichário, sua obra (não toda, lembre-se) fica compactada, de fácil armazenamento e manuseio. (P.A.S.)

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