Falta verba e Funcart pára quatro projetos
Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha2
Devido ao corte na verba da lei municipal de incentivo à cultura, a Fundação Cultura Artística de Londrina (Funcart) foi obrigada a paralisar quatro dos seis projetos que estavam em andamento há seis anos e abrir mão de outros novos.
Segundo Leonardo Ramos, em 99 a Fundação recebeu R$ 220 mil através da lei e este ano apenas R$ 97 mil. Para manter as atividades básicas dependemos do dinheiro arrecadado pelos pais de alunos com a venda de latinhas de cerveja e refrigerantes. O dinheiro da subvenção municipal mal dá para pagar o salário dos professores.
Sem condições financeiras, a Escola de Dança não terá mais aulas de formação teórica e talvez nem o espetáculo de encerramento em dezembro; a Companhia de Ballet corre o risco de não viajar com os espetáculos como faz todos os anos; o Balezinho ainda não sabe se poderá estrear a primeira produção do ano em junho e a Escola de Teatro ficará sem suas oficinas complementares. É uma falta de respeito com o cidadão e com os artistas que acabam se desdobrando para não diminuir a qualidade do trabalho e, muito menos, abandonar os projetos.
Outra crítica que Ramos faz à Secretaria Municipal de Cultura é a falta de liberdade que a Funcart tem para administrar os recursos destinados a ela anualmente. Se tivéssemos mais verba e carta branca para distribuí-la de acordo com as nossas necessidades, sem a interferência de interesses políticos, o benefício da sociedade seria muito maior.
Na opinião de Ramos, mais de 10% da população londrinense tem algum contato com as produções da Funcart. É graças ao apoio deles e ao idealismo de todos que ainda nos mantemos ativos.
Um dos projetos que ainda funciona no Circo da Funcart é o Tardes de Dança. Ele acontece uma vez por mês, aos sábado ou domingos, e reúne grupos de bailarinos de qualquer região do país em apresentações gratuitas. Em sessões alternadas o projeto utiliza o videocassete para levar à população espetáculos famosos que, normalmente, ficam restritos às capitais.
A visita da velha senhora é a nova peça da Escola Municipal de Teatro. Em cartaz há duas semanas ela tem atraído mais de 100 pessoas todos os dias ao Circo da Funcart. O espetáculo é apresentado de quinta a sábado, às 21h, e aos domingos, às 20h, até o dia 16 de abril. O ingresso custa R$ 3 para estudantes e colaboradores da Fundação e R$ 6 para o público em geral.
A Companhia de Ballet de Londrina estréia no dia 27 de abril o espetáculo Ethos. Se houver verba, em maio o grupo percorrerá as capitais nordestinas e no segundo semestre se apresenta em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Entre tantas reclamações, a Funcart tem uma boa notícia. Ela acaba de colocar em funcionamento o projeto Conexão Dança via on-line. Trata-se de uma página dentro do site da Fundação (www.funcart.art.br) que em breve deverá se transformar num grande banco de dados sobre a dança brasileira. É a primeira iniciativa da área na Internet. Por isso, ela vem repercutindo muito bem em todo o Brasil. Temos recebido colaboração de todos os Estados o que nos motiva ainda mais, afirmou Ramos, que também é diretor do Ballet de Londrina.
A reportagem da Folha procurou a secretária municipal de Cultura Angela Marçal para comentar o assunto, mas não a encontrou.





