A gralha-azul vive com a incumbência de disseminar as sementes do pinho na região sul do País. Justamente por esse caráter de propagação e difusão, essa ave foi escolhida para denominar um prêmio no setor teatral. Depois de 21 edições, completadas este ano, o Troféu Gralha Azul continua restrito aos círculos curitibanos. Do norte do Paraná, o Grupo Armazém de Teatro e o falecido diretor José Antônio Theodoro receberam o almejado troféu. A diretora Nitis Jacon foi contemplada com uma estatueta, mas como homenageada.
A atriz e diretora londrinense Maria Fernanda Coelho, que faz parte da comissão organizadora do Festival Internacional de Londrina (Filo), afirma que não se interessa pelos prêmios da capital. ‘‘É uma coisa muito interna, sempre achei o prêmio Gralha Azul, por exemplo, muito restrito a Curitiba’’, opina. Para ela, a premiação é importante quando possui um caráter de estímulo e incentivo a produção teatral. ‘‘Existe produção profissional fora de Curitiba, pelo menos ela poderia ser avaliada’’, prossegue.
Do ponto de vista de Fernanda, falta um prêmio que contemple a produção teatral de todo o Paraná. ‘‘Ou pelo menos que se levante se realmente há produção’’, questiona. Essa lacuna no reconhecimento dos espetáculos produzidos fora da capital necessita de dois pré-requisitos, segundo a atriz Maria Fernanda Coelho: que o prêmio seja um canal para estimular e dar visibilidade ao teatro paranaense. ‘‘E realmente não posso afirmar que o Gralha Azul é representativo para o Estado’’, finaliza.

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