São Paulo, 20 (AE) - Roman Polanski tem o nome ligado a rituais de satanismo e outras esquisitices. É autor de sucessos como "O Bebê de Rosemary, O Inquilino, Repulsa ao Sexo", entre outros. Filmes inquietantes, de provocar arrepios com seus climas densos, seu suspense mais sugerido que explicitado. Polanski sempre passou a impressão de conhecer por experiência própria o lado escuro da alma humana. Parte dessa carga nervosa, dessa energia negativa colocada a serviço da arte está em "O Último Portal", seu filme mais recente, e que, ao contrário do que se possa pensar, não trata da Internet ou da Microsoft.
O clima polanskiano está lá, mas não de todo. A história é daquelas que ele gosta. Johnny Depp faz Dean Corso, especialista em livros raros que se vê às voltas com uma trama maléfica. A pedido de um colecionador, deve procurar as últimas cópias remanescentes de uma obra sobre satanismo. Não se trata apenas de paixão de bibliófilo, como ele vai descobrir, porque Balkan, o colecionador, tem outros planos em mente. Na aventura, Corso será auxiliado por uma misteriosa diva, dotada de poderes impressionantes, que é interpretada por Emmanuelle Seigner, casada com o diretor.
O filme é baseado no livro "El Club Dumas", de Arturo Pérez Reverte, e guarda o tom culto, e lúgubre, das obras desse escritor. Trata-se, em princípio, de um thriller sofisticado, com toques de sobrenatural, jogado numa ambientação de constraste - entre os Estados Unidos e locações européias, como Toledo, pequenas cidades de Portugal e Paris.
O tom soturno é um recurso, o clima pretensamente assustador é outro, mas o fato é que o filme não chega a decolar. Mais: se em três quartas partes conserva algum interesse para o espectador, despenca nas sequências finais. Antigamente, em "O Bebê de Rosemary ou O Inquilino", Polanski sabia como manter o suspense e aumentá-lo pouco a pouco
de modo insidioso, mas aqui perde a mão. As situações vão se tornando óbvias, e por isso previsíveis, o que é fatal para um thriller. Serviço - O Último Portal. Suspense. Direção de Roman Polanski.14 anos

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