Falta Shakespeare em nossos palcos
Bárbara Heliodora não é somente a mais temida crítica teatral brasileira, como a maior especialista sobre Shakespeare entre os estudiosos nacionais. Até sexta-feira ela estará em Curitiba ministrando o curso Shakespeare na Sua Época, na Universidade Federal do Paraná. Por coincidência, o autor inglês está sendo tema de outro curso realizado no Solar do Rosário, de maior duração.
Apesar da onda shakespeareana ainda falta muito de suas obras em nossos palcos, reclamou Bárbara. Tem muita coisa para ser feita, enfatizou, citando Othelo, Macbeth, suas peças históricas e as comédias. Ele oferece tanto..., suspira.
Um dos entraves mais graves para se ter a genialidade do dramaturgo de Strattford-upon-Avon com maior frequência é a tradução de suas peças, criticou Bárbara. Os tradutores, quando se dão a esse trabalho, partem para uma linguagem de extremo rebuscamento ou então contribuem com o autor transformando versos em prosa. A descaracterização da obra é fatal.
Se Shakespeare escreveu de determinada forma, não foi por intenções arbitrárias. Ele deu uma forma que faz parte do conteúdo, explica. Como também ela se dá à tarefa das traduções, Bárbara Heliodora lança farpas apesar do telhado de vidro. Não tenho delírios de ordem inversa, apressa-se em dizer.
A pomposidade dos textos não é sinônimo da obra shakespeareana, afirma a crítica. Essencialmente teatral, ele escrevia para se comunicar. Se agradava a todo mundo, é porque sabia contar uma boa estória. Shakespeare vivia de bilheteria, era um autor popular. Ser popular, no entanto, não é ser ruim, mas atingir do povo à elite, frisou.
Durante o 6º Festival de Teatro de Curitiba, que começa amanhã, os fãs de Shakespeare poderão apreciar mais uma abordagem do clássico Romeu e Julieta, desta vez com uma visão nordestina, assinada por Romero de Andrade Lima.





