Falta modelo de comportamento ético e moral
A falta de identificação com um discurso contestador e participação em movimentos sociais, mesmo os mais discretos, juntamente com a ausência de um modelo de comportamento moral e ético na família, escola e na própria política seriam os principais fatores que levam os jovens eleitores ao desinteresse pelo voto.
''A dinâmica dos jovens é muito distinta do resto do que se discute em nível nacional hoje em dia. Há uma grande falta de leitura por parte dos alunos, que estão absortos, a maioria fora de contexto'', afirma o professor de Ciências Econômicas e Políticas da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, Carlos Magno Bittencourt, de 41 anos.
De acordo com o professor, para o novo eleitor, o voto não significa possibilidade ou efetiva mudança. ''Eles se perguntam: 'Se nossos pais não conseguiram alguma mudança, como vamos mudar?' O que interessa é o dia-a-dia dinâmico. A falta de escrúpulo, moral e ética da maioria dos políticos é o que causa esse desinteresse'', explica.
Diferente do período de mudança do discurso de uma geração para outra, da época da ditadura, passando pelas ''Diretas Já'', até o impeachment de Collor, atualmente há uma ausência daquele ''grito contestador'', mesmo com os jovens tão próximos de um diálogo, por meio das atuais ferramentas tecnológicas. ''Muitos não dão valor porque o voto é facultativo e não sabem como era não votar, como no regime militar. Há um paradoxo porque os jovens estão imersos na tecnologia da informação e estão mais interessados no que acontece com suas próprias vidas do que na sociedade'', analisa Bittencourt.
Para o professor, o esforço conjunto da família, dos professores e dos políticos pode ser uma das soluções para que o jovem volte a acreditar no voto. ''Falta um modelo de comportamento ético e moral. Além disso, o Brasil só é patriota de quatro em quatro anos, na Copa, ou durante o período de eleições, de dois em dois anos. É preciso que os jovens participem mais de diretórios acadêmicos e grêmios estudantis, que também precisam parar de pensar só em festa. Os mais velhos também precisam participar mais de reuniões de conselho de segurança no bairro ou reunião de condomínio. Os jovens precisam perguntar onde está a essência do ser humano e discutir como podem ser representados em sociedade'', conclui. (C.Y.)





