O Momo deve sambar no autódromo. Deve... nada está certo ainda. O carnaval londrinense, que há muito não buscava uma representatividade popular como almeja este ano, talvez não se concretize. Após os desmandos praticados na conturbada gestão do prefeito cassado Antônio Casemiro Belinati (atualmente sem partido), a prefeitura está sem dinheiro até para saldar compromissos, quem dirá para apoiar financeiramente as escolas de samba do município.
Segundo o secretário de cultura Bernardo Pellegrini, além da falta de verbas na prefeitura, o empresariado local não tem demonstrado interesse: ‘‘Conversamos com alguns empresários, mas até agora... nada’’. Os recursos financeiros que poderão apoiar parte da festa se originarão da venda de ingressos, com preço ainda indefinido, e da praça de alimentação que será instalada no local. Entretanto, o desfile está ameaçado. Apesar da confirmação da Fundação Municipal de Esporte em ceder o Autódromo Internacional Ayrton Senna, algumas escolas não irão desfilar se não houver apoio financeiro das empresas da cidade.
A Escola de Samba Navegantes do Mar Azul (Jardim Leonor), por exemplo, já está avisando: ‘‘Não tem como! Nós vamos tirar dinheiro do bolso? Não dá!’’ lamenta a presidente da escola, dona Margarida. Criada em 1997, a escola ainda não definiu o samba-enredo nem o orçamento do desfile. Sobre a mudança para o autódromo, Margarida ressalta: ‘‘É mais difícil para o povo ver o carnaval, mas se a prefeitura deixar alguns ônibus à disposição, fica mais fácil’’.
Na Gaviões Londrinenses (Parque Ouro Verde), o tom também não é muito positivo: ‘‘Se não tiver apoio da prefeitura, a escola desfila... mas só fora de Londrina’’ prevê o presidente Edward Róbson Rodrigues, que afirma ter negociado apresentações em alguns distritos e em Astorga. Criada em 1988 como União da Vila, e transformada há dois anos na Gaviões, a escola já tem samba-enredo e orçamento definidos: ‘‘Assombração’’, para um orçamento de R$ 17 mil.
Outra carnavalesca que compartilha das opiniões acima é a presidente da Escola se Samba Unidos do Jardim Sol (Zona Leste), Maria José Farias: ‘‘Sem verba não tem como desfilar’’. Criada em 1982, a escola ainda não tem samba-enredo definitivo, mas já avaliou o orçamento deste ano, R$ 20 mil: ‘‘Mas teremos de reduzir tudo’’ antecipa a presidente. Maria José acredita que a mudança para o autódromo foi positiva: ‘‘Foi ótima a idéia, pois haverá mais espaço’’; mas lamenta o conservadorismo ainda reinante no Jardim Sol: ‘‘há muita resistência no bairro contra o carnaval’’.
A única escola de samba que garante desfile ‘‘aconteça o que acontecer’’ é a Garotos Unidos, da Zona Sul. O presidente da escola Pedro Paulo Scheffer está esperançoso em relação à iniciativa privada: ‘‘Estamos em um momento de cooperação com o município, e temos de confiar na secretraria (que está buscando recursos)’’. Criada em 1999, a Garotos Unidos já tem samba-enredo e orçamento estabelecidos: ‘‘Sorte tem... quem acredita nela’’, para um custo aproximado de R$ 15 mil (quantia reduzida da previsão inicial de R$ 25 mil). A respeito da mudança para o autódromo, Scheffer foi enfático: ‘‘O importante é a comunidade gostar do desfile’’.
O presidente da Escola de Samba Quilombo dos Palmares foi contatado pela reportagem mas não retornou a ligação.

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