Falhas da memória
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Luiz Geraldo Mazza<br>Colunista da FOLHA 
Paranaguá não merece o cenário que hoje ostenta: ao lado do que há de belo e histórico, o peso da marginalidade social que a oprime, visível a uma passada na Praça de Eventos. Nem sempre, no que diz respeito à memória, ficamos à altura dos seus feitos. E nisso, na condição de parnanguara, me sinto envolvido pessoalmente: a 26 de abril do ano que vem teremos o centenário do primeiro concerto de Villa Lobos no Brasil, realizado no então Teatro Santa Celina em Paranaguá. Esse fato, como de resto tudo o que se refere ao gênio da música brasileira e de sua curta estada na cidade, é de escasso conhecimento, embora a jornalista Rosy de Sá Cardoso tenha se referido ao tema no último Boletim do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, bem como se deva o clareamento do assunto ao jornalista Toninho Vaz, hoje residente no Rio, por suas pesquisas.
Meu avô materno, Randolpho Gomes Veiga, conviveu com Villa Lobos nessa primeira década do século passado e participava do agito cultural da celebrada Estudantina, pólo dessas manifestações. Há algumas pessoas e instituições interessadas em registrar o acontecimento, dentre elas o maestro Valtel Branco, um dos maiores nomes da música nacional, também de Paranaguá.
O tempo é curto para que o Paraná faça a celebração adequada e para que Paranaguá especialmente marque nesse centenário a sua inserção gloriosa nesse evento mais do que brasileiro por sua dimensão universal.


