Falastrões, baderneiros e beatlemaníacos
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quinta-feira, 19 de março de 1998
Nelson Sato 
Os bad boys do pop chegaram ontem. O Oasis, a banda mais popular da Inglaterra desde os Beatles, sobe ao palco hoje no Rio e amanhã em São Paulo fechando a etapa latino-americana da turnê promocional do álbum Be Here Now.
No auge do sucesso, os irmãos Gallagher e seus asseclas trazem o repertório de seus três discos, cuja tiragem conjunta já ultrapassou a marca de 20 milhões de cópias vendidas. Diferente do U2, o Oasis privilegia o set list deixando de lado qualquer preocupação com cenários, figurinos, iluminação e efeitos tecnológicos.
Falastrões e arteiros, preferem armar o circo fora do palco. A lista de exigências para a vinda no Brasil, por exemplo, inclui desde dezenas de garrafas de bebidas alcoólicas e barras de chocolate nos camarins até hospodegem em andares diferentes para cada integrante no Maksound Plaza e ida aos locais dos shows em carros separados.
Tão famosos no Reino Unido a ponto de serem citados em roteiros turísticos e receberem convites para jantar com o primeiro-ministro inglês Tony Blair, os de Manchester habitam os tablóides sensacionalistas em notas folclóricas que incluem declarações polêmicas, socos em jornalistas, baderna em hotéis, arruaças em aviões, briguinhas internas, apresentações com formação incompleta, cancelamento repentino de shows e troca de insultos com outras bandas.
Musicalmente, o Oasis retrocede ao melodismo pop dos anos 60 recobrindo-o com guitarras ruidosas. Noel Gallagher, guitarrista e eventualmente vocalista, encabeça o quinteto. Mesmo entrando por último na banda, tomou as rédeas e passou a compor todas as músicas, claramente inspiradas nos Beatles. Seu irmão, Liam, é a figura carismática de palco.
Sem ostentar uma voz invejável, inventou um jeito próprio de cantar, quase mostrando as amígdalas. De tanto imitar John Lennon, transformou limitação em estilo. Nos shows, costuma ficar com os braços cruzados para trás ou ficar agachado observando o público durante alguns minutos.
Dos três álbuns lançados pela banda, o primeiro (Definitely Maybe) se destaca como um marco na década sendo responsável pela volta do pop inglês ao topo das paradas em várias partes do mundo. Embora tenha vendido pouco no Brasil, é sem dúvida ali que a banda depositou suas mais finas iguarias. Como não se deslumbrar ouvindo faixas como Live Forever, Supersonic e Slide Away?.
Menos memorável, o álbum seguinte (Whats the Story) Morning Glory? escancarou a influência de John Lennon nas composições da banda e ajudou a conquistar platéias ainda arredias à oasismania. A balada Wonderwall chegou a figurar na trilha de uma novela da Globo. Be Here Now, por sua vez, foi um dos micos musicais do ano que passou. Badalado exaustivamente pela mídia (inclusive a brasileira) antes de chegar às lojas, o terceiro e último álbum é um amontoado de canções raquíticas que apenas reiteram cacoetes dos dois trabalhos anteriores.
No final de 98, porém, a banda deverá se redimir com o lançamento de uma coletânea de lados B de singles. Segundo declarações de Noel, as músicas serão escolhidas pelos fãs por meio de voto para o endereço eletrônico do Oasis na Internet ([email protected]). Se entrarem músicas como Stay Young, Whatever e Round Are Way (cantada pelo ator Ewan McGregor em uma cena do filme A Life Less Ordinary), é possível prever uma monumental compilação.
A banda aliás tem encerrado os shows da atual turnê com Acquiesce, faixa que só consta de um single. Como a banda tem feito poucas alterações no repertório entre uma cidade e outra, o set list deverá ser repetido hoje à noite no Metropolitan, no Rio, e amanhã no Sambódromo, em São Paulo. O show, de uma hora e 40 minutos, traz duas partes mais pesadas com uma seção de quatro ou cinco faixas acústicas tocadas por Noel no miolo. A desconhecida banda carioca Squaws foi convidada para abrir as duas apresentações, previstas para começar às 21 horas.


