Com um belo texto de Marguerite Duras a companhia paulista Teatro Instalação realiza uma interessante montagem em ‘‘Ágatha’’, espetáculo apresentado ontem no FILO/99.
Em ‘‘Ágatha’’ o espectador não exerce o papel de testemunha ou de cúmplice de um história de amor, exerce literalmente o papel de intruso. Um intruso a quem foi concedida a oportunidade de violar a privacidade de uma paixão entre irmãos.
Há o espectador que pode sentir o prazer de um ‘‘voyeur’’, há o espectador que pode se sentir profundamente incomodado por violar a intimidade de uma intensa relação amorosa impossível. Há também o espectador que pode não sentir nada. ‘‘Ágatha’’ é uma montagem onde os elementos se completam, seus conceitos se integram. A concepção do espaço cênico, na realidade uma instalação, utiliza tanto a contextualização espacial (um quarto) como sua descontextualização (imagens de grafite). Dentro das paredes de um quarto de hotel, dentro de palavras de duplo sentido, os personagens aprisionam dentro do peito uma tempestade de paixão e se relacionam através de brisas, de sutilezas. Um amor que pode ser definido como um vulcão sutil.
Falar de amor não é amar, é saudá-lo. ‘‘Ágatha’’ sugere que a perpetuação de um grande amor reside, paradoxalmente, em sua eterna impossibilidade.DivulgaçãoCena de ‘‘Ágatha’’: espectador exerce o papel de intrusoMarcos Losnak
Especial para a Folha2

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