Faixas selecionadas
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quarta-feira, 26 de novembro de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Tentar todas as bandas tentam, mas raras conseguem lançar um disco inteiro com faixas inspiradas. O comum é gravar duas ou três canções memoráveis e completar o álbum com composições aguadas, daquelas que nem o fã mais ardoroso ousa destacar.
É por isso que, ao ressaltar os melhores momentos da carreira, muitas coletâneas acabam iludindo o ouvinte com a idéia enganosa de que a banda compilada é uma usina de criação de obras-primas. A temporada de lançamentos no gênero, porém, não deixa de fornecer belos CDs para dar de presentes neste final de ano.
Papai Noel nunca foi tão generoso. O bom velhinho parece ter escolhido a dedo as antologias de bandas que despacharia de seu trenó. Um dos principais lançamentos é o ''The Very Best of The Velvet Underground'' (Universal), que reúne 18 faixas extraídas dos quatro primeiros álbuns gravados por Lou Reed, John Cale, Maureen Tucker, Sterling Morrison e Nico.
Impecável, traz clássicos como ''Sweet Jane'', ''Femme Fatale'', ''Heroin'', ''Stephanie Says'', Venus in Furs'', ''I Cant't Stand It'' e ''Sunday Morning''. A compilação chega ao mercado simultaneamente ao álbum de estréia do grupo cuja capa, elaborada pelo artista plástico Andy Warhol, traz a famosa casca de banana.
Velvet criou uma linhagem no rock, figurando entre as cinco bandas mais influentes da história. É a matriz de nomes como Jesus & Mary Chain, Sonic Youth, Yo La Tengo, Pavement, Stereolab e Galaxie 500. A garotada que só a conhece de nome, tem aqui uma bela introdução para se aventurar nas sarjetas sombrias de Nova York.
Também oferecendo pistas do que viria a seguir, a coletânea ''The Very Best of The Stones Roses'' revisa as pepitas registradas nos dois únicos álbuns lançados pelo quarteto de Manchester o primeiro em 1989 e o segundo cinco anos depois. Traz canções marcantes como ''I Wanna Be Adored'', ''She Bangs The Drums'', ''Fools Gold'' e ''I Am The Resurrection''.
Fundindo psicodelia e groove dançante, Ian Brown, John Squire, Mani e Reni acabaram nutrindo todo o indie pop inglês dos anos 90. Uma das herdeiras foi a banda Suede, que despontou no início da década como a única rival britânica para o ''movimento'' grunge capitaneado por grupos como Nirvana, Pearl Jam e Mudhoney nos Estados Unidos.
Hoje parece piada, mas na época o Suede foi saudado pela mídia local como a salvação do rock inglês antes mesmo de lançar seu primeiro álbum. A coletânea ''Singles'', que chegou este mês ao mercado brasileiro, repassa sua trajetória resgatando sucessos como ''Animal Nitrate'', ''Stay Together'', ''Metal Mickey'', ''The Wild Ones'' e ''Beautiful Ones''. O disco chega ao público no momento em que pipocam especulações sobre o fim do grupo.
Outra expoente britânica dos anos 90 que ganhou retrospectiva nesta temporada é a galesa Manic Street Preachers, cuja coletânea dupla ''Forever Delayed'' (Sony) anda espantando muita gente com o preço oferecido pelas lojas. Em Londrina, por exemplo, o CD nacional está à venda a R$ 85,96 (!). Mas quem não se importar com o rombo no bolso, não vai ter do que se queixar durante a audição.
O material conta a história da banda através das canções, partindo da fase punk-glam politizada para as intensidades melódicas posteriores, ou seja, os períodos pré e pós-Richey James o guitarrista ensandecido que desapareceu em fevereiro de 1995, depois de sair de um hotel em Londres sem levar documentos ou dinheiro. Até hoje, seu corpo não foi encontrado.
Alternando faixas antigas e recentes, a compilação inclui composições como ''A Design for Life'', ''Motorcycle Emptiness'', ''If You Tolerate This Your Children Will Be Next'', ''Suicide is Painless'' e ''Faster''. Belos e depressivos, os álbuns dos Manics sempre abrigaram letras politizadas, a exemplo do que tem feito recentemente o Primal Scream, outro grupo contemplado nesta temporada com uma antologia (prevista para sair no Brasil na segunda quinzena de dezembro).
A fornada de retrospectivas celebra ainda trajetórias das bandas R.E.M (''The Best of REM: 1988-2003''), Style Council (''The Sound of Style Council'') e The Hives (''Your New Favourite Band''). Lá fora saíram ainda antologias dedicadas ao Ocean Colour Scene (''Anthology'') e ao Teenage FanClub (''Four Thousand Seven Hundred And Sixty Six Seconds: A Shortcut To Teenage Fanclub'').
O surto de coletâneas não poupou nem a cena eletrônica, que destaca o explosivo CD duplo ''The Chemical Brothers Singles (93 - 03)'' e o obrigatório ''Anthology 1992 2002'', do duo Underworld. A lista é extensa. Aguardem que vem mais por aí.


