Faculdade lança mapa ilustrado de bairro carioca
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terça-feira, 24 de maio de 2005
Folhapress 
Rio de Janeiro - Reduto da boêmia, de artistas plásticos e de casarões que representam diversos estilos arquitetônicos, o bairro de Santa Teresa ganhou um mapa que ajuda a contar um pouco mais da história do bairro para seus moradores e admiradores.
O projeto realizado pelo historiador Marcos Bretas, pelo arquiteto Kleris Albernaz e pela ilustradora Ana Maria Moura foi financiado pela Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e indica 49 pontos de interesse histórico ou turístico do bairro.
Santa Teresa é um dos mais antigos bairros da cidade. O guia que acompanha o mapa explica que foi nas encostas do morro onde se organizou, em 1710, parte da resistência à tentativa de invasão da cidade por parte do capitão francês Jean François Duclerc.
O nome do bairro é herdado do convento de Santa Teresa, construído no século 18 para abrigar a Ordem das Carmelitas, que acabou emprestando involuntariamente o nome também para o mais famoso bloco carnavalesco do bairro.
O local, que já abrigou quilombos nos séculos 18 e 19, atrai parte da elite carioca, em especial a ligada às artes. O bairro encontra-se no coração da cidade. A partir dele, chega-se ao centro e às zonas norte, sul e oeste e à principal atração turística da cidade: a estátua do Cristo Redentor. É lá também que se encontra outra das mais famosas atrações turísticas da cidade: o bondinho do Corcovado.
O orientador do projeto, Maurício Moutinho da Silva, conta que o objetivo do mapa não foi fazer mais um mapa turístico: ''O que queremos é difundir entre todos os moradores do bairro um sentimento de pertencimento. Queremos mostrar que o ambiente onde ele mora tem história e que ele passe a ser um defensor e admirador do local em que vive''.
Foi por essa razão, segundo explica o historiador Marcos Luiz Bretas, que no mapa não foram incluídos apenas pontos turísticos ou casarões, mas também favelas e morros como o da Coroa, Fallet e Prazeres, que hoje dividem o espaço do bairro com mansões da elite e apartamentos de classe média. ''Queremos que o aluno de escola pública, ao receber o mapa, se identifique com o local onde vive. É por isso que não fazia sentido deixar as favelas de fora. Elas fazem parte da história do bairro'', diz Bretas.
Santa Teresa foi a quarta localização do Estado a fazer parte do projeto de mapas da Faperj. Antes do local, foram já ilustrados e mapeados os bairros cariocas do Centro e de São Cristóvão e o município fluminense de Campos (no norte do Estado).


