O baixista é, geralmente, o músico mais discreto de uma banda. O sujeito fica ali na moita, tocando pelo coletivo como se - para usar uma analogia esportiva - jogasse no meio-de-campo (futebol), como levantador (vôlei) ou como armador (no basquete).
Nenhum guitarrista ou vocalista ousaria dispensá-lo. Sua função é imprescindível, embora já tenha cumprido um papel pouco nobre no passado, usando seu instrumento apenas para executar a nota fundamental do acorde a cada compasso.
Hoje, depois da evolução do jazz e da música pop, o baixo (ou contra-baixo) assumiu um papel mais melódico, além de rítmico e harmônico. Mesmo assim, é raro ouvir solos de baixistas. O músico paulista Ederson Prado, 24 anos, é um dos que contrariam a regra. Nascido em Itajobi (SP), ele está morando em Londrina desde o ano passado.
Seu virtuosismo pode ser conferido em vídeos postados no site YouTube, que o ajudaram a conquistar este ano o título de ''baixista mais rápido do Brasil'' pelo RankBrasil, o Livro dos Recordes Brasileiros. ''Agora pretendo entrar no Guinness Book e ser eleito o baixista mais rápido do mundo. Já me cadastrei e logo vou enviar o material para eles'', diz o músico, que dá aulas particulares de baixo e de produção musical.
Prado explica que atingiu a performance depois de anos de estudos. ''Toco baixo há dez anos. Já passei por várias bandas e trabalhei muito em estúdio gravando de pop a sertanejo. Treinei para ter essa característica peculiar e alcançar uma velocidade acima do normal. E se você chega a um nível alto, tem que mostrar'', afirma.
O título foi legitimado através do metrônomo, aparelho usado para marcar o tempo, a duração das notas e o compasso musical. Ederson toca na velocidade de 300 bpm, mantendo-a por no mínimo 30 segundos (a velocidade de 210 bpm é considerada rápida). Ele executa notas em semicolcheia, o mesmo que quatro notas por tempo, usando dois ou três dedos da mão direita, com o máximo de batidas por minuto.
Já pensando no Guinness, o músico conta que a preparação passa pela execução da música ''Flight of Bumblebee'', de Nikolai Korsakov, enviado pela equipe do livro mundial dos recordes. O baixista planeja gravá-la ao vivo num evento público e transformar o registro em áudio e vídeo no principal material de oficialização da proeza, o que incluiria testemunhos de autoridades para legitimar a iniciativa.
''Tem que mostrar que não há fraude, que não existe tentativa de burlar a façanha'', salienta. A data e o local ainda não foram definidos. Além da ambição como solista, ele sonha em emplacar um feito em dupla. Há alguns meses, conheceu o baterista norte-americano Tim Watterson, com quem armou uma parceria de produção musical on-line.
''Ele entrou em contato comigo através da internet depois de acessar os meu vídeos'', conta. ''A ideia é compor músicas em conjunto em velocidade absurda para tentar entrar no Guinness com a música mais rápida já executada por um humano. Apesar de priorizar o jeito bizarro de tocar, queremos fazer músicas que não sejam mecânicas e chatas de ouvir. Acho que a técnica tem que trabalhar a favor da música e não o contrário''.
Desenvolvendo vários projetos musicais paralelos, Prado toca atualmente na banda gaúcha Burning Hell, de Caxias do Sul (RS), bastante conhecida no universo do heavy metal. Integra também a banda londrinense Stratiotes, de metal gospel. E há 1 ano, mantém um duo com o guitarrista Tiago Della Vega, consagrado no Guinness como o guitarrista mais veloz do mundo.
Também ministra workshops, o que fez duas semanas atrás na cidade ao lado do guitarrista Wander Lourenço. Como se fosse pouco, ele arranja tempo ainda para compor temas para seu primeiro álbum-solo. ''Será um disco instrumental com mesclas de metal, jazz, experimental e rock progressivo'', avisa, fazendo questão de frisar que antes de ser roqueiro ou metaleiro, é um músico.

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