Fábulas ainda encantam
Para a professora Marly Scheffer, contar histórias exige percepção e sensibilidade
Há muitos e muitos anos, a professora Marly Scheffer Santos encanta crianças com suas adoráveis histórias. Ela prefere não revelar quantas gerações de curitibanos já se deliciaram com as fábulas, narradas por ela durante décadas. Hoje, mesmo aposentada, a professora não parou de trabalhar. Esporadicamente, ela retorna ao colégio onde passou boa parte de sua vida e faz o que mais gosta: conta histórias aos alunos. Em casa, ela presenteia os privilegiados netos com belos contos de fadas.
Tudo começou há muito tempo. Acho que sempre gostei de contar histórias, desde que aprendi a ler e tomei conhecimento delas, explica Marly. Quando começou a lecionar no Colégio Anjo da Guarda, rapidamente suas aulas se misturaram aos contos, que provavelmente encantavam mais aos alunos do que as lições.
O próximo passo foi ser transferida para a biblioteca da escola, onde passou a conviver diretamente com as fábulas. Além de organizar o local, ali eu recebia diariamente turmas de alunos que vinham para ouvir histórias, relembra. Nesta época, ela eventualmente deixava a biblioteca e percorria as salas de aula, narrando o que lia nos livros infantis.
Segundo Marly, a essência das crianças não se alterou durante as décadas. Elas continuam se encantando com fadas, temendo os lobos, sentindo um fascínio pelas bruxas e se identificando com os personagens, explica.
Entre as milhares de fábulas que estão na sua memória, a professora cita algumas das suas preferidas, como a da Sherazade, que foi a contadora de histórias das Mil e Uma Noites, a da Bela e a Fera e a Pele de Asno.
Segundo Marly, cada conto revela algo, por isso seria preciso manter os olhos e ouvidos bem abertos. É preciso também ter muita percepção na hora de optar por uma ou outra história, de acordo com a faixa etária, sexo e momento das crianças ouvintes. Antes de narrar um conto, ela explica que é necessário deixá-lo amadurecer dentro de si mesmo. Por isso, em meu repertório há tantas histórias quantas cabem em meu coração, define. (S.M.)





