Fábula serve de gatilho para aventura banal em Depois da Terra
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quinta-feira, 06 de junho de 2013
Cássio Starling Carlos<br>Folhapress 
São Paulo - O novo filme de M. Night Shyamalan ("O Sexto Sentido"), "Depois da Terra" propõe uma mistura de fábula de iniciação com aventura de sobrevivência e conceito de game.
No futuro, a Terra se tornou inabitável e a humanidade colonizou outros planetas. Mas vive sob a ameaça constante das Ursas, monstrões cegos que farejam o medo e exterminam suas vítimas. Will Smith faz o pai herói imobilizado depois que sua aeronave cai na Terra, agora um planeta inóspito e com uma natureza pré-histórica. Jaden Smith, seu filho também na ficção, desempenha o avatar que enfrenta os maiores riscos para salvá-lo.
A infância desprotegida diante do desconhecido e a representação da natureza como um campo de forças são elementos recorrentes no cinema de Shyamalan e também fonte de boa parte de seu encanto. Em "Depois da Terra", porém, tais elementos não estão a serviço da fantasia do diretor, apenas servem de gatilho para um filme banal de aventura.
Mesmo o conceito da relação jogador imóvel/mobilidade da ação apenas repete, sem tantos recursos, o que James Cameron explorou com maestria em "Avatar".
Apesar de o filme às vezes parecer engrenar nos momentos de ação e quando se impõe a concepção visual de uma Terra pós-apocalíptica, nem nós, fãs mais insistentes do cinema de Shyamalan, encontraremos motivos para defendê-lo.


