Fábula dark e filosófica
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quinta-feira, 08 de outubro de 2009
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Em menos de dez anos, o animador americano Shane Acker viu sua carreira ascender como poucas em Hollywood. E tudo por causa de ''9'', um curta-metragem acadêmico de apenas 11 minutos sobre um grupo de bonecos humanóides que tenta sobreviver num mundo pós-apocalíptico.
O projeto de conclusão de curso na Universidade da Califórnia não só garantiu a formatura de Acker como foi parar entre os indicados do Oscar 2005. Agora, o filme chega às telas do mundo inteiro em versão estendida - e se converte num dos grandes sucessos de bilheteria desta temporada.
A estreia americana aconteceu numa data ''cabalístisca'': 09/09/09. Com um mês de atraso (e o título em português de ''9 - A Salvação''), o longa entra em cartaz a partir de hoje nos cinemas de todo o País. Mas, ao contrário do que se pode pensar, é melhor não levar os filhos pequenos. Por conta de seu tom sombrio e violento, a animação foi classificada para maiores de 10 anos no Brasil. Nos EUA, para espectadores acima de 13.
Os adultos, no entanto, não só podem como devem assistir a essa fábula dark-filosófica que encantou o cineasta Tim Burton (cujo currículo inclui ''O Estranho Mundo de Jack'' e ''A Noiva Cadáver'', só para ficar no terreno das animações). Ele se ofereceu para produzir a nova versão da história, contanto que Acker fizesse apenas uma concessão: criar falas para os personagens, que eram silenciosos no curta original.
Acordo fechado, logo o projeto ganhou o reforço do diretor cazaquistanês Timur Bekmambetov (de ''O Procurado''), também creditado como produtor. O time principal é completado por um elenco de peso, formado por Elijah Wood (o eterno Frodo, de ''O Senhor dos Anéis''), Jennifer Connelly (''Uma Mente Brilhante''), Martin Landau (''Ed Wood''), Christopher Plummer (''O Plano Perfeito'') e John C. Reilly (''Chicago'').
''9 - A Salvação'' se passa numa realidade paralela, em que a raça humana foi exterminada após uma guerra com robôs assassinos. Só os autômatos sobrevivem, mas entre eles estão nove bonecos que, por um motivo a ser revelado, apresentam fortes traços de humanidade. Último a se integrar ao grupo, 9 não se conforma com a passividade dos outros, que vivem escondidos com medo das máquinas destruidoras. Questionador e líder nato, ele convence os demais de que seu futuro depende de um enfrentamento.
Há quem compare, com certa razão, o argumento de ''9'' ao de ''Matrix''. A verdade é que as duas fábulas se desenvolvem a partir do mesmo arquétipo. No caso, o mito de Prometeu, que representa a ânsia humana por conhecimento (nem que seja preciso desafiar a ordem estabelecida para buscá-lo e compartilhá-lo).
Subtexto à parte, o filme valeria apenas pelo visual, marcado por um detalhismo impressionante. Assumidamente influenciado por animações japonesas e do leste europeu, Acker é festejado no meio por trabalhar com computação gráfica e ao mesmo tempo conseguir um resultado que se assemelha ao das técnicas tradicionais. E pensar que este é apenas seu primeiro trabalho.


