Só agora, completados 13 anos de carreira, Fabiana Cozza lança o primeiro DVD. Não que esse tipo de registro seja fundamental para a evolução da música ou do músico, mas Fabiana, especificamente, é artista de palco. Funciona muito melhor ao vivo do que nas gravações, nos discos. E tem total consciência disso.
''O áudio não me basta'', diz. ''Sempre me dediquei a aprender o ''expressar-se em cena'. E me entreguei tanto ao canto quanto à dança e ao teatro. A música é soberana e me aponta o caminho. Tento redimensionar isso com outras linguagens: a do corpo, a do gestual.''
As tentativas de Fabiana estão impressas em ''Quando o Céu Clarear'', registro do show captado em maio de 2008, no Auditório Ibirapuera.
O repertório é quase o mesmo do CD homônimo, de 2007, e prioriza autores já clássicos.
Estão no disco Baden Powell e Vinicius de Moraes (''Canto de Ossanha''), Wilson das Neves e Paulo Cesar Pinheiro (''O Samba É meu Dom''), João Bosco e Aldir Blanc (''Coisa Feita''), Edu Lobo (''Resolução''), Sérgio Ricardo (''Esse Mundo É Meu''), Gilberto Gil (''Andar com Fé''), Dona Ivone Lara e Jorge Aragão (''Tendência'') e Arlindo Cruz (''Malandro Sou Eu'').
A nova geração do samba, elevada com Fabiana à luz graças à retomada do gênero na década passada, ganha bem menos destaque no trabalho.
Já se fala no final desse ciclo, em que o samba atuou como principal ingrediente do pop nacional - o mesmo que gerou Cozza e também Mariana Aydar, Vanessa da Mata, Roberta Sá, entre tantas.
Fabiana diz não temer as possíveis mudanças. ''A moda aponta tendência, mas não dita regra nem desconstrói o que foi conquistado, enraizado'', diz. ''O samba do qual eu e muitos outros artistas beberam e bebem não nasce do que está exposto, explícito, ''bombado'. A patente dele não está aí.''
Serviço
■ Quando o Céu Clarear
Artista - Fabiana Cozza
Gravadora - Lua Music
Quanto - R$ 36

mockup