Exumação do corpo de Pablo Neruda é concluída
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segunda-feira, 08 de abril de 2013
Folhapress 
São Paulo - A exumação dos restos mortais do poeta chileno Pablo Neruda foi concluída ontem, em Isla Negra, na costa central do Chile. O resultado irá conduzir o processo judicial para esclarecer se ele foi assassinado pela ditadura de Augusto Pinochet ou se morreu de câncer, como afirma a versão oficial.
A operação na casa-museu no balneário de Isla Negra, 120 km a oeste de Santiago, onde Neruda viveu seus últimos dias, foi mais rápida que o previsto, já que os restos estavam em melhores condições do que se pensava. Os restos mortais de Neruda e de sua mulher se encontravam absolutamente separados, o que facilitou sua identificação, segundo informações da agência de notícias France Presse.
O trabalho começou com a abertura da cripta onde estavam os restos mortais do Prêmio Nobel de Literatura (1971), perto do mar e ao lado da sepultura de sua terceira esposa, Matilde Urrutia, sob a supervisão do juiz Mario Carroza, além de advogados e dezenas de peritos forenses.
"Na parte judicial nos encontramos de acordo com a diligência", comentou o juiz aos jornalistas após a exumação, que se estendeu por menos de duas horas e atraiu muitos meios de comunicação.
Após a exumação, os restos de Neruda foram levados ao Departamento de Antropologia do Serviço Médico Legal do Chile (SML), em Santiago, que estará completamente dedicado a este caso.
Um grupo de arqueólogos, antropólogos, médicos, toxicologistas e representantes da Cruz Vermelha Internacional participa dos trabalhos.
Vítima de câncer ou da ditadura?
A operação busca determinar se Neruda morreu em 1973 pelo agravamento de um câncer de próstata, como sustenta seu atestado de óbito, ou se morreu após ser inoculado com uma misteriosa injeção um dia antes de viajar ao México, onde pensava em se exilar e comandar a oposição a Pinochet, como denuncia seu ex-motorista, Manuel Araya.
Segundo Araya, na tarde de 23 de setembro de 1973 - apenas 12 dias após a instauração da ditadura de Pinochet -, Neruda contou a ele e a sua esposa Matilde Urrutia que havia recebido uma injeção no peito, o que o havia feito se sentir muito mal.
Quase seis horas depois, o poeta morreu na Clínica Santa María de Santiago, para onde havia sido levado por razões de segurança quatro dias antes. Seu motorista foi detido e espancado pelos agentes da ditadura. Um avião do embaixador mexicano da época, Gonzalo Martínez, esperava Neruda para que viajasse no dia seguinte.
A perícia se concentrará em determinar se os restos de Neruda contêm algum tipo de toxinas ou substâncias médicas que possam ter acelerado sua morte, explicou o diretor do SML, Patricio Bustos.


