EXTRACLASSE Uma enorme sala de aula ao ar livre
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
Adriana Ito<br> Reportagem Local 
O que um grupo de alunos pode aprender em uma aula extraclasse bem na ExpoLondrina - onde esses meninos e meninas gostam primordialmente de ir ao parque de diversões e comer guloseimas? Pois a experiência pode se tornar um grande aprendizado, como a reportagem constatou ao acompanhar a visita de várias escolas ao Parque de Exposições Ney Braga na última quinta-feira.
Se, à entrada, a maioria das crianças não escondia a expectativa em ir aos brinquedos, as descobertas ao longo da visita logo foram atraindo olhares e despertando a curiosidade desses visitantes-mirins. Com isso, cabe aos educadores aproveitarem essa brecha para fazer com que estudem, direcionando o aprendizado de acordo com cada faixa etária.
Até mesmo os pequenos do Centro de Educação Infantil (CEI) Sebastião Sanchez Sarauza receberam suas lições entre bois e plantas. ''Como eles ainda são muito pequenos, a gente trabalha com conceitos mais simples, como as cores e principalmente os animais'', explicou a professora Daniela Arcanjo Gonçalves de Souza, acrescentando que a socialização também é outro ponto importante a ser explorado em uma oportunidade dessas. ''Explicamos que a criança não pode conversar com qualquer pessoa com quem não esteja familiarizada, como se comportar em meio a tanta gente. E esse aprendizado ela pode levar para outras situações.''
Nessa fase, porém, ainda não é tão fácil fazê-las desistir da ideia do parquinho. ''Eu gostei dos brinquedos. Não gostei do boi nem do cavalo. Tenho medo'', admitiu Juliana Monteiro da Silva, 4 anos, enquanto aprendia com seus colegas uma outra lição importante: olhar onde pisa, para desviar das fezes dos bois espalhadas pelo chão.
Com crianças um pouco mais velhas, já é possível repassar noções mais avançadas de temas como agricultura, pecuária e preservação do meio ambiente. Na Escola Municipal Pedro Vergara Ferreira, os 90 alunos tiveram uma pequena introdução em sala de aula antecipando a visita, mas o conteúdo visto na exposição também será trabalhado em aulas posteriores. E esse também é o procedimento adotado pela grande maioria das cerca de 200 instituições públicas de ensino de Londrina e região que visitam a ExpoLondrina anualmente.
''Depois vamos fazer uma pesquisa, trabalhar a importância disso tudo. Eles estão na primeira série, e através de atividades extraclasse como essa começam a aprender a discutir, ter ideias, dar opinião. Os alunos vão ditar o que viram para eu escrever no quadro'', explicou a professora Lúcia Pereira Romano, da Escola Municipal João XXIII.
Aos 7 anos, a aluna Isabela Ferreira não hesitou em dizer do que mais gostou na feira: ''Gostei do boi, porque ele faz móóó'', respondeu. E, enquanto a turma toda ao seu redor repetia ''móóó'', esta repórter constatava que esse som é realmente mais próximo de um mugido do que a onomatopeia ''muuu'' que se aprende na escola.
Conhecer de perto os bichos que geralmente só se vê nas figuras dos livros foi muito mais significativo para uma turma em especial: os alunos do Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc). Embora a turma fosse composta por estudantes de diversas faixas etárias, o trabalho realizado com eles foi o mesmo, conforme atesta a terapeuta ocupacional Mayla Ferreira Pavezzi. ''Trabalhamos a socialização, a contextualização com o meio, a interação com animais e plantas, e também a inclusão e o lazer, mostrando que eles podem frequentar e se divertir nos mesmos lugares que todo mundo'', revelou.


