Exterminador com novo aditivo
Novo filme da série tenta trazer para a sensibilidade contemporânea o que a geração de 1990 experimentou
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terça-feira, 05 de novembro de 2019
Novo filme da série tenta trazer para a sensibilidade contemporânea o que a geração de 1990 experimentou
Carlos Eduardo Lourenço Jorge 
Parecia morta e enterrada, a luminosa e visionária saga de fantasia e ficção científica iniciada por James Cameron em 1984. Os três últimos filmes, “A Rebelião das Máquinas”, “A Salvação” e “Gênesis”, com muito esforço mal conseguiram se conectar com o grande publico dada sua irrelevância cultural. Tramas emaranhadas e obscuras, protagonistas desprovidos de carisma e propostas com prazo de validade expirado. Agora, decorridos 35 anos do advento da franquia, quando já se acreditava que a ressurreição era algo impossível, Cameron aparece para promover o resgate – como co-roteirista e produtor. Quer dizer: andou dando palpites no argumento e no roteiro, e como tem sempre ideias acima da média da turma da pancadaria, botou o dedo na ferida conseguindo revitalização e reatualização de seu clássico à sua assinatura também como diretor especialmente no segundo capítulo da saga – “Exterminador 2: o Juízo Final”. Sua intervenção, ainda que longe da genialidade, pulverizou as citadas sequelas nas quais não esteve envolvido.
Embora longe do espírito do segundo episódio, que se converteu em fenômeno na época (1991), este “Exterminador: Destino Sombrio”, em exibição na cidade, almeja um traslado para a sensibilidade contemporânea, a fim de que as novas gerações experimentem algo parecido com aquilo que os espectadores dos anos 1990 sentiram, com a diferença de que resulta cada vez mais complicado surpreender em termos de efeitos digitais e cinema de ação ultra cinético. Mas ainda assim ele funciona como um remake híbrido dos dois primeiros filmes. E funciona de fato. Além do aporte de ideias para oxigenar história e personagens, outro trunfo revigorante foi promover a volta de Linda Hamilton, ex-mulher de Cameron.

Recolhida em New Orleans e com a carreira em ralenti por conta dos U$ 50 milhões que levou no divórcio, mesmo assim a atriz, aos 63, achou que valia a pena voltar ao papel de Sarah Connor, na tela não tão emblemática e desafiadora como a Ellen Ripley de Sigourney Weaver nos diversos “Alien”, mas com carisma suficiente para segurar as pontas que com certeza ficariam soltas – como ficaram – em vários momentos do filme. A propósito, o personagem evoluiu bastante nessas três décadas, trouxe convicção e marcante caráter feminista à proposta. Aliás, são as mulheres que dominam de ponta a ponta “Destino Sombrio”.
Apesar do sotaque hispânico de seu filme e certa dimensão política quanto à posição anti-imigratória de Trump – uma personagem, Dani , é mexicana e terá que cruzar a fronteira com os EUA de forma ilegal; é presa e tratada de maneira humilhante pela polícia –, o diretor Tim Miller (“Dead Pool”), às vezes torpe e dotado de rasa densidade emocional, não demonstra maior interesse, carregando mais a mão na ação física, no sentido de humor e na épica heroica.
E Schwarzenegger, a quantas anda nesta sua sexta entrada na franquia? Pois bem, em que pese o trio de mulheres, vá lá!, empoderadas, o único personagem que transmite humanidade genuína, pasmem, é o velho Arnold. Em personagem “aburguesado”, sua cínica presença é o melhor registro interpretativo da história. Mas somente ele e Linda, apesar da empatia da dupla, não são cacife suficiente para garantir a aposta de mais um “Terminator”. Mas ele deve vir, tão certo quanto a reciclagem de franquias é a droga que mais dependência cria em Hollywood, e da qual não existe rehab que possa dar jeito. “Interminator”, é o nome da coisa.


