Expresso 2222 prepara-se para o carnaval baiano
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2003
Beatriz Coelho Silva<br> Agência Estado 
As últimas semanas têm sido de muita farra (e trabalho) na sede da GG Produções, produtora do ministro da Cultura, Gilberto Gil. Enquanto ele corre atrás de dinheiro para sua pasta, sua banda prepara o trio elétrico Expresso 2222, que circula na orla de Salvador, de sexta-feira à terça-feira gorda, do Farol da Barra ao bairro de Ondina. Pelo estúdio, no Rio, já passaram ou vão passar Caetano Veloso, Paula Toller, Mart'Nália, Sandra de Sá e Armandinho. Na quarta-feira, quem ensaiou foi Toni Garrido, que faz o trio elétrico há três anos, e dois estreantes no 2222, Elza Soares e Arnaldo Antunes.
''O carnaval baiano foi uma das experiências mais impressionantes de minha vida. Eu tinha 16 anos e vi aquela massa toda pulando, cantando e nunca mais me esqueci'', lembra Arnaldo, que se apresenta no domingo de carnaval, com Gil, Elza, Caetano, Mart'Nália e Toni Garrido. ''Vou cantar músicas dos Titãs, dos Tribalistas e ''Eu Vou Ficar aqui'', que a Elza gravou. Já fui também no sambódromo e adorei, mas é a primeira vez que canto num trio elétrico.''
Elza, que é veterana de carnaval, gravou sambas que viraram clássicos do carnaval carioca, como ''Salve a Mocidade'' (''lá vem a bateria da Mocidade Independente/ Não existe mais quente, não existe mais quente...'') e ''Bahia de Todos os Deuses'', ainda não havia definido seu repertório. ''Bahia e Rio são completamente diferentes. Aqui o desfile conta uma história, lá é festa do povo, na rua. Ainda não decidimos o que vamos cantar. Tem tanta coisa...'', justifica ela. O certo é que Gil não abre mão de acompanhá-la, pois eles nunca dividiram palco no Brasil. ''Mas em Londres, sim. Foi ótimo'', lembra Elza.
Toni Garrido ressalta que o Expresso 2222 vai além do carnaval baiano. ''Tem o balanço, mas também toca frevos pernambucanos, baianos, do Armandinho, de Dodô e Osmar. Além disso, é de graça, todo mundo vai'', diz Toni, explicando que os outros promotores cobram pelo abadá (túnica que os identifica, que pode passar de R$ 200,00 por pessoa). ''Enquanto o ministro rala, a banda dele está aqui preparando a festa.''
Os filhos de Gil também participam. Nara e Preta cantam e Bem toca na banda. Discretos, Nara e Bem evitam até sair nas fotos, enquanto Preta, que está se lançando como cantora, confessa seu encantamento. ''Estou aprendendo com essas feras'', elogia ela que, para o primeiro disco, preferiu compositores de sua idade a músicas do pai ou dos medalhões da geração dele, que certamente não negariam essa gentileza ao amigo. ''Faço afoxé funk com os Novos Bárbaros, porque minha turma é Davi Moraes, os filhos do Paulinho Boca de Cantor e de outros membros dos Novos Baianos.''
Cada artista do Expresso 2222 ensaia cinco músicas de seu repertório, mas todo mundo participa do show dos outros. ''É meio misterioso como tudo acontece, porque o pessoal não pára de cantar nas quatro ou cinco horas do desfile'', adianta a produtora-executiva Fafá Giordano. Ela explica que este ano são três patrocinadores, o Bradesco (R$ 400 mil) e o supermercado Extra (R$ 200 mil), através da Lei Rouanet, e o Mastercard, que financia também o camarote do 2222, mas entrou sem renúncia fiscal. ''Esses patrocínios foram decididos no ano passado, quando Gil nem pensava em fazer parte do governo.''
Esse detalhe (importante) pode inviabilizar o trio elétrico no ano que vem. O 2222 é produzido por Flora Gil, com as leis de incentivo fiscal e, ao assumir o Ministério da Cultura, Gil já avisou que sua mulher não vai recorrer a esse recurso legal, enquanto ele for titular da pasta. ''Mas Gil não abre mão do trio elétrico e Flora faz para atendê-lo'', avisa Fafá. ''Mas não estamos preocupados com 2004. Por enquanto, só queremos fazer bonito este ano.''


