Expressividade total
Máscaras em busca da simplicidade e da pureza do ser humano formam a coleção Essência de esculturas da artista plástica carioca Stella Mariz, que expõe pela primeira vez em Curitiba, a partir de hoje, na Galeria de Arte Inter Americano.
Segundo a escultora, o processo de socialização vai envolvendo o ser humano em máscaras que, ao mesmo tempo, facilitam o relacionamento com o mundo e escondem o que é essencial no homem. Este processo impede a compreensão de si mesmo e o homem esquece o que é e o que foi, espiritualmente.
Com a força de Rodin e a turbulência de Egon Chile, as esculturas de Stella retiram máscaras em Essência e têm como base o ouro em Apego. No total são 18 peças desses processos que falam do apego às coisas materiais, e do que todo o artista busca. Cito Rodin e Egon Chile, porque somos uma consequência de tudo que nos precedeu e os dois artistas são os que mais admiro, reconhece.
As mãos das figuras, algumas sem face e desformes outras, fortemente expressivas, agarram a base de ouro da existência ou retiram máscaras como em Renascimento. Por ser tridimensional, a escultura mostra muita força e flui para uma compreensão, afirma.
Stella conta que seu trabalho faz o caminho inverso do da arte conceitual. Primeiro é mais inconsciente para observando, evoluir. Só nas fases das máscaras, Stella trabalhou cerca de dez anos até que o processo tenha se esgotado. Os trabalhos de que mais gosto e que considero melhores, nasceram do acaso. No entanto, o acaso é só aparente, Existe um fio condutor, na maioria das vezes, inconsciente.
Neta da aquarelista Ana Vasco e filha do musicólogo Vasco Mariz, Stella convive com a arte desde a infância. Este contato foi reforçado pelos estudos na Europa e nos Estados Unidos nas décadas de 60 e 70. De volta ao Brasil, em 1978, Stella apresentou seus primeiros trabalhos no Grupo de Crítica de Arte, do Centro Ivan Serpa, no Rio de Janeiro. De 1981 a 83 trabalhou no ateliê de escultura do professor Jaime Sampaio e participou do Curso de Desenho e Observação de Modelo Vivo no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A partir de 84 começa a abordar o conceito expressionista por intermédio da realidade anatômica e recebe a orientação do crítico Walmir Ayala de que está pronta para apresentar seu trabalho ao público. (E.M.C.)
Exposição da escultora Stella Mariz, no Inter Americano Galeria de Arte, em Curitiba. Abertura hoje, às 18h30. A visitação pode ser feita até dia 22 de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 12 horas e das 13 horas às 20h30; aos sábados, das 8h30 às 11 horas.





