Um dos mais representativos movimentos artísticos do século 20 – o expressionismo – recebe a maior exposição já realizada no Brasil. Alguns mestres do expressionismo germânico ganham exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) e no Museu Lasar Segall (SP), a partir de hoje. Eventos paralelos promovidos pelo Instituo Goethe discutem a influência do movimento artístico no cinema, música, literatura, dança e teatro. Filmes mudos, concertos de música, poesia expressionista alemã e mesas redondas com especialistas debatendo sobre o expressionismo e sua época, mostram de que forma foram pulverizados os preceitos dessa corrente artística.
Dividida em três segmentos, a exposição agrega um conjunto de 68 pinturas e gravuras, vindas do acervo do Museu Von der Heydt (Alemanha), que inclui nomes de grande destaque, como August Macke, Emil Nolde, Ernst Ludwig Kirchner e Wassily Kandinsky. Soma-se à exposição, 90 obras de três artistas brasileiros que dialogaram com a vertente alemã (Segall, Abramo, Goeldi). Da obra de Lasar Segall ainda compõe a mostra sua produção de retratos expressionistas.
O expressionismo é uma constante na história da arte, assim como o barroco e a pintura realista. A Alemanha é considerada o berço do expressionismo. Surgido em 1905, os idealistas alemães combatiam a alegria de viver francesa. Circunstâncias dolorosas, crenças dramatizadoras e hipertensão emocional acabaram impregnando as obras produzidas nessa época por cores fortes e pinceladas soltas dos artistas do movimento.
O expressionismo tende a deformar ou a exagerar a realidade expressando seus sentimentos e a percepção de maneira intensa e direta, seja na pintura, desenho ou escultura. Dentro de um erotismo neurótico, os corpos nus de homem e mulher são duros, enxutos, com magrezas que nos falam do esgotamento psíquico que padecem. Por extensão, essa vertente se disseminou de forma incisiva em toda forma de expressão artística. Tanto no cinema, na música e na literatura, o conteúdo emocional e as reações subjetivas exercem forte domínio sobre o convencionalismo e a razão. Na Alemanha, o expressionismo sucumbiu aos castigos comandados pelos nazistas no campo das artes.
Dois grupos que construíram a história dessa vertente estética estarão representados na mostra: ‘‘Die Brucke’’ (A Ponte); ‘‘Der Blau Reiter’’ ( O Cavaleiro Azul). O movimento serviu de referência para vários artistas brasileiros modernistas, como Lívio Abramo, Oswaldo Goeldi e Lasar Segall, que ajudaram a revisar e ampliar o próprio conceito histórico do expressionismo.
Museu de Arte Moderna de São Paulo (Grande Sala). Parque do Ibirapuera, portão 3. Museu Lasar Segall, Rua Berta, 111, Vila Mariana, São Paulo. A exposição e os eventos paralelos seguem até o dia 10 de dezembro.

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