Exposições no Solar têm diferentes linguagens
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de novembro de 1998
Elisa Marilia Carneiro 
O Solar do Barão será tomado, a partir de hoje, por cinco exposições de diferentes linguagens e que ficarão até o final de fevereiro de 1999. São obras de artistas paranaenses e um artista cubano, além de xilogravuras realizadas por gravadores populares do Ceará.
Desenhos em nanquim e guache sobre cartolinas coloridas compõem a mostra Traços Ritualísticos - um trabalho impregnados de simbolismo místico -, do cubano Fernando Gómez Alvarez.
O artista paranaense Cleverton concentrou quatro instalações sob o título de Clevelândia. Outra exposição, também com instalações, reúne vários trabalhos da ponta-grossense Maria Inês Hamann. Vera Maria Bagatoli e Elisa Gunzi unem suas técnicas - desenho e pintura, respectivamente.
Ainda entre os paranaenses, o gravador Nelson Hohmann apresenta a exposição 10 X 10, com linoleogravuras coloridas produzidas entre os anos de 96 e 98. Completa a programação a mostra Vias Sacras de Juazeiro do Norte, com 75 xilogravuras de cinco artistas populares de Juazeiro do Norte.
A coleção - que foi doada este ano ao Museu da Gravura Cidade de Curitiba, por Gilmar de Carvalho, pesquisador e professor da Universidade Federal do Ceará - é mostrada pela primeira vez em Curitiba e reúne versões da Via Sacra ambientada no nordeste brasileiro.
Paranaenses
As instalações do artista plástico Cleverton, realizadas em técnica mista e apresentadas com o título Cleverlândia, têm como tema o Super-Homem e retratam a visão bem humorada do artista sobre o seu próprio mundo.
Formada pela Empab e com diversos cursos de desenho, pintura e gravura, Elisa Gunzi mostra pinturas que revelam a ambiguidade do corpo. Também formada pela Embap, Vera Maria Bagatoli aprimorou-se em desenho e gravura e, nessa exposição, apresenta desenhos na técnica de carvão sobre papel. Os trabalhos reproduzem o coração como forma anatômica, desvinculada da simbologia de vida e sentimentos.
A mostra Banalidade do Bem, assinada pela pesquisadora de arte e poeta Maria Inês Hamann, é composta por esculturas e instalações que levam a uma reflexão sobre a banalização do amor, da vida e da morte nesse final de século. A mensagem é expressa por meio de vísceras, fungos, larvas, chumbos, ferro, terra, gelo e acrílico.
O resultado de um trabalho de três anos, que tem a gravura como meio de comunicação, está concentrado na mostra 10 X 10 do gravador curitibano Nelson Hohmann. São 100 linoleogravuras coloridas, com um padrão de tamanhao de 10 centímetros quadrados, que revelam a persistência do artista na técnica escolhida.
A exposição Traços Ritualistícos do cubano Fernando Gómez Alvarez reúne desenhos feitos entre 96 e 98. Os trabalhos realizados em nanquim e guache têm dimensões que não ultrapassam 65 x 50 centímetros. As obras falam do cotidiano por intermédio de alegorias místicas e os traços convidam a um jogo de decodificações.
Vias Sacras de Juazeiro do Norte de 75 xilogravuras de artistas populares de Juazeiro do Norte será mostrada pela primeira vez ao público curitibano e foram doadas pelo pesquisador e professor Gilmar de Carvalho. Criadas em tábuas de umburana, as matrizes das obras são releituras das 14 estações da Via Crucis e incluem elementos nordestinos, como o sol escaldante e árvores crestadas.


