Exposições no MIS emocionam e convidam à reflexão
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Flávia Guerra 
São Paulo, 18 (AE) - Para a fotógrafa Claudia Andujar, a imagem tem efeito mágico sobre as pessoas. Mas para isso ser possível, elas têm de se emocionar. Se depender disso, a exposição que o MIS abre amanhã (19) não vai sair tão cedo da memória dos visitantes. Para comemorar o Dia do Índio, o museu enfoca o cotidiano dos ianomâmis pelas lentes de Claudia. As 17 fotos que fazem parte da mostra emocionam e denunciam a intimidade da fotógrafa com o povo a quem ela dedicou a vida. Suas fotos vão além do simples registro e convidam à reflexão sobre o relacionamento entre índios e a chamada civilização.
Por meio de imagens que captam a penúria e o extermínio do povo indígena, ela denuncia as consequências negativas desse relacionamento. Essa tarefa não foi fácil. Os ianomâmis não gostam de ser fotografados, pois acreditam que sua sombra é roubada quando sua imagem é registrada. Mas ela não desistiu e tamanho foi o seu envolvimento com o povo em seus mais de 20 anos de trabalho que suas fotos são um dos mais importantes registros da vida e da cultura indígena já captados no País.
Essa paixão nasceu nos anos 70, em uma de suas viagens para a revista "Realidade", quando realizou trabalhos para uma edição especial sobre a Amazônia. Desde então, quis conhecer melhor os índios e conseguiu uma bolsa da Fundação Guggenheim (EUA) para se dedicar à documentação fotográfica da vida dos ianomâmis. "Quis compreender quem eram eles e mostrar isso com fotos", conta. Começava, então, sua amizade com o povo a quem ajudou a defender e a compreender melhor.
O trabalho de Harald Schultz (1909-1966) vem juntar-se à obra de Claudia e narrar outra vertente da vida indígena. As 60 fotos, que pertencem ao acervo do MIS, foram registradas entre julho e outubro de 1964 e enfocam detalhes sutis das tradições indígenas. Em plena maturidade profissional, Schultz registrou nessa época vários rituais das tribos que habitavam Mato Grosso, como festas, caçadas e cerimônias.
A partir de quinta-feira, o MIS também inaugura o Painel Temático, espaço de discussão e reflexão sobre temas ligados aos meios eletrônicos. O assunto deste mês é "Índio: Representação e Auto-Imagem", que traz vídeos realizados pelos próprios índios sobre sua cultura e de outros profissionais. Outra opção para quem quer conhecer melhor a cultura indígena é visitar a construção da "casa de farinha", rancho onde se produz farinha de mandioca para consumo próprio, que os índios xavantes inauguram amanhã no Parque da água Branca, a partir das 10 horas.


