Exposição utiliza tapumes de obras de construção
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segunda-feira, 06 de abril de 2015
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Dar sentido e cor a pedaços de madeiras usadas em construção civil foi o que motivou a artista plástica londrinense Angela Diana a criar os trabalhos que integram a exposição "Tapumes", que segue até 30 de junho, no Sesc Cadeião Cultural. No total, são oito peças que trazem a pintura como técnica principal em tapumes de verdade, permeadas por objetos em alto-relevo e outros tipos de materiais grande parte recicláveis como tecidos, flores artificiais, corações de plástico, chaveiro. "Gosto de me apropriar de materiais exóticos e muitos artistas também fazem isso, como Bispo do Rosário. As obras da exposição são rústicas, sem sofisticação, mas bem acabadas dentro da proposta. Apesar disso, não perdem a delicadeza, mesmo porque tento resgatar o feminino; não o feminino frágil, e sim o visceral que existe nas mulheres", sintetiza a artista.
Angela diz que as obras não possuem um significado específico, até porque, segundo ela, a arte é feita para causar emoções e sentimentos. "Depois que a obra sai das mãos do artista ela se torna pública. Eu não me importo que as pessoas não entendam o que eu quis dizer, mas que ela sinta verdadeiramente o que quer dizer para ela. A obra tem que abrir a mente das pessoas, por isso que a arte é importante para o desenvolvimento cultural da humanidade."
Apesar de não definir a exposição, ela comenta que as peças em tapumes dizem muito sobre as relações humanas e a vida. "É uma obra aberta, sem sequência, em que as pessoas podem criar uma história. Há elementos presentes de contraste como morte e vida, dia a noite, feminino e masculino."
Defensora da ideia de que seu papel vai além de produzir arte para vender, ela é taxativa ao dizer que "não faz obra para combinar com a cor do sofá". "Ser artista é muita responsabilidade, é uma missão muito maior. Por meio da arte, é possível abrir novas portas e janelas para mundos diferentes." Até mesmo por este motivo, ela apoia a criação de mais espaços culturais na cidade. "Gostaria de compartilhar com mais frequência minhas obras, mas em Londrina há poucos espaços disponíveis. Precisamos pensar, também, em espaços abertos para projetos de rua, em locais públicos. A obra não é de uma elite, precisa estar aberta a todos", argumenta Angela, acrescentando que a cidade possui vários artistas de potencial e trabalhos importantes.
Além das peças em tapumes, a exposição traz uma escultura de dois metros e meio de altura em formato de anjo. "Os anjos são figuras recorrentes no meu trabalho, que tem muita referência às obras da artista londrinense Letícia Marquez. Este anjo, em particular, é a primeiro de uma série que está para ser exposta em breve", adianta. A estrutura da escultura é feita de metal, arame, bobina de papel, filtro de café, fitas de cetim e chitão. "São materiais que gosto de reaproveitar em minhas produções", conta. Angela tem, ainda, vários trabalhos feitos em siporex, um cimento expandido.
Nascida em Londrina, Angela Diana iniciou o curso de artes em 1985, integrando o grupo do atelier de Letícia Marquez de 1986 a 1993, ano em que abriu o atelier Oficina de Arte Contemporânea com a artista Mira Benvenuto. De 1994 a 2001 orientou a implantação e o curso de artes no bairro Jardim União da Vitória, em um projeto social da Prefeitura de Londrina. Entre os anos de 1993 e 1995, Angela ilustrou a coluna de Paulo Francis para a Folha de Londrina.
Serviço:
Exposição "Tapumes"
Quando - Até 30 de junho, com visitação de terça a sexta-feira, das 10h às 21h, e sábado e domingo das 10h às 18h
Onde - Galeria de Artes do Sesc Cadeião Cultural (R. Sergipe, 52)
Quanto - Gratuito


