São Paulo, 10 (AE) - Em 1888, um grupo de geólogos norte-americanos liderados por Gardner G. Hubbard reuniu-se com um objetivo: criar uma sociedade científica e educacional sem fins lucrativos. Passaram a publicar um boletim anunciando descobertas e invenções fantásticas, como o telefone de Graham Bell. Esse boletim nada mais era do que o embrião de uma das instituições mais conhecidas no universo editorial neste século: a "National Geographic". Em maio, a publicação finalmente vai ganhar uma edição brasileira, lançada pela Editora Abril.
Para marcar a chegada da "National Geographic" ao País e comemorar seus 112 anos de existência, será inaugurada amanhã (11), no Museu da Imagem e do Som (MIS), a exposição "Um Olhar sobre o Mundo", reunindo mais de 80 fotografias de alguns dos mais conceituados profissionais da instituição. O título da mostra resume com precisão o que a "National Geographic" tem feito desde seu nascimento: mostrar a seus milhões de leitores o que o planeta tem de mais belo e trágico, independentemente do sacrifício para atingir tal objetivo.
Segundo o curador e fotógrafo Iatã Cannabrava, a exposição é dividida em dois segmentos: um com fotos históricas e outro com imagens recentes. "O primeiro conta a história da fundação da National Geographic Society, com registros de expedições científicas, como a do comandante Robert Peary, primeiro explorador a pisar no Pólo Norte, em 1909", conta Cannabrava. "Há também fotos famosas como a de Graham Bell fazendo a primeira chamada telefônica a longa distância, em 1892".
É na história contida em cada fotografia que reside a principal atração do trabalho da National Geographic. Algumas são curiosas e revelam uma característica que Cannabrava usou como tema do segundo segmento da exposição do MIS: a obstinação dos fotógrafos em atingir seus objetivos, aliada a uma técnica extremamente apurada. "Para esses profissionais, o trabalho é um projeto de vida, no qual não existe medo nem cansaço", afirma o curador. Conversão - Realmente, há muitas histórias que traduzem essa característica, como a do norte-americano Thomas Abercrombie. Durante um trabalho realizado na Arábia Saudita, ele ficou fascinado pelo país e pela força da religião muçulmana. Depois de mergulhar na cultura árabe por 16 anos, acabou aprendendo o idioma local, converteu-se em 1965 ao islamismo e fez as primeiras fotos de Meca, local sagrado e proibido para os não-muçulmanos.
Uma história mais recente tem como protagonista o fotógrafo Emory Kristof que, depois de uma busca de 17 anos pelo Titanic, conseguiu, em 1991, com o apoio tecnológico da National Geographic, as primeiras fotos submarinas dos escombros do lendário navio. Contudo, dentre todas as imagens, a que carrega a história mais comovente é a do fotógrafo William Albert Allarde. Durante uma reportagem na cidade de Puno, no Peru, em 1981, ele registrou o choro de um menino que acabara de perder seu rebanho de seis ovelhas, atropelado por um táxi.
O fato representava um duro golpe na frágil economia de subsistência da família do pequeno camponês. A imagem comoveu de tal forma os leitores que foi criada uma campanha para ajudar o menino. Resultado: ele recebeu no Peru um total de US$ 7 mil em doações. O caso do garoto peruano mostra bem a relação de proximidade entre a "National Geographic" e seus leitores. Por ser uma sociedade, cada assinante - são 9 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, segundo Cannabrava - tem consciência de que está contribuindo para novos projetos e pesquisas.
"Todo o excedente dos gastos da instituição, em torno de US$ 350 milhões, é investido nesses projetos", diz o curador. As atividades em torno da chegada da "National Geographic" ao Brasil não vão restringir-se à exposição no MIS. Será realizado ainda o wokshop "Profissão Fotógrafo", nos dias 17 e 18, coordenado pelo norte-americanos Chris Johns e David Alan Harvey. Johns colaborou por quase duas décadas para a "National", com reportagens que o levaram do Alasca ao oeste da áfrica. Seu mais recente projeto é "Hawaiis Hidden Treasures" (Os Tesouros Escondidos do Havaí).
Por sua vez, Harvey já realizou mais de 35 trabalhos para a revista, que incluem um ensaio sobre Cuba e reportagens no Vietnã, na Malásia e em Sumatra. Também nos dias 17 e 18 serão exibidos o vídeo "Os Fotógrafos" e um filme sobre a história e o trabalho realizado na National Geographic Society.

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