Exposição reúne dez pinturas de Heber Lagos
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quarta-feira, 08 de abril de 2015
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
Londrinense radicado em São Paulo há quatro anos, o arquiteto e artista plástico Heber Lagos abre hoje a exposição "Fragmentos da Transitoriedade". Reunindo dez pinturas em acrílico sobre tela, a mostra abre a temporada 2015 do Circuito A. Yoshii de Artes Visuais. Os trabalhos, que podem ser visitados até o dia 15 de maio, representam a potência da renovação a partir de elementos inomináveis e informais.
Promovida pelo Ministério da Cultura e Instituto Atsushi e Kimiko Yoshii, a mostra instiga o expectador a visualizar o ponto entre o não ser mais e o novo ser. "Estas pinturas propõem-se a construir possibilidades visuais deste momento. Estes fragmentos tanto estão formando algo novo como deixando de ser o que eram, desconstruídos, sobrepondo formas que se dissolvem e se redefinem", define Heber Lagos.
O autor afirma que suas pinturas montam cenários entre o final e o início e um novo ciclo. "Trata-se de ponto da curva onde os ciclos do ser desconfiguram, onde os espaços arquitetônicos não são mais habitáveis, onde um pensamento nos escapa, onde nossas características perceptivas se diluem. Elas perguntam em que momento um amontoado de pedras gera potência para ser arquitetura? Observe uma caçamba de detritos, a maneira como nos comunicamos e absorvemos informações. Muitas vezes isso forma uma onda de fragmentos, indecifráveis, superficiais. Observe nossa necessidade de reciclar, nossa relação com o que chamamos resíduos", propõe.
Esta é a primeira exposição de Lago, que desde 2010 cursa o Estudo de Belas Artes Realismo pictórico, no Ateliê do pintor Maurício Takiguthi, em São Paulo. Arquiteto graduado pelo Cesulon, nos últimos anos o londrinense tem se dedicado ao trabalho da aproximação de questões plásticas comuns à pintura e desenhos realistas e abstratos. "Eu elegi para esta série o instigante em detrimento do belo ou do simpático. Não acredito em pinturas inofensivas. Mas isso depende completamente do observador e seu processo contemplativo."
Na avaliação do artista, seus quadros podem ter diferentes leituras: "As pessoas que observaram essas pinturas relataram que o modo como percebiam a imagem alterava-se consideravelmente com o tempo. Mas este possível diálogo não verbal dá-se pelo canal da sensação, e não necessita de textos explicativos e simbólicos do pintor. A pintura tem que ter a potência de se autossustentar. Cada pessoa projeta sobre a pintura algo seu e o quadro a responde com sua manifestação visual, é como uma respiração compartilhada. Aí que se dá a troca enriquecedora da arte", conclui.
Serviço:
Exposição "Fragmentos da Transitoriedade"
Quando De hoje a 15 de maio, das 9h às 18h
Onde - Showroom A.Yoshii (Av. Madre Leônia Milito, 1800)
Quanto - Entrada gratuita


