Rio, 17 (AE) - A atriz Dina Sfat será homenageada com grande exposição sobre sua vida e sua carreira, a partir de sexta-feira, no Museu da Imagem e do Som (MIS), no Rio. A iniciativa é do diretor e produtor de teatro, Antônio Gilberto, que trabalhou com a atriz em seu último espetáculo de teatro, "A Irresistível Aventura", em 1984, e se tornou amigo dela até sua morte, em março de 1989. "Dina atuou no cinema, no teatro e na televisão sempre com brilho e sucesso, mas já existe uma geração que não a viu em cena", justifica Gilberto. "Essa exposição é para lembrar a grande profissional que ela foi".
Ao longo de 27 anos de carreira, iniciada em 1962, na peça "Antigone América", ao lado de Ruth Escobar, e terminada com a novela "Bebê a Bordo", em 1988, na Globo, Dina Sfat conquistou o público não só por atuações marcantes, mas também por sua beleza e seu engajamento em causas sociais e políticas. Essa empatia com o público lhe dava visibilidade e espaço nos meios de comunicação, mesmo quando ousava ou mostrava insegurança. Seus desempenhos se tornaram históricos, como ocorreu com a guerrilheira, belíssima, do filme "Macunaíma", ainda nos anos 60, ou a vilã Fernanda, na primeira versão de "Selva de Pedra", na década de 70, ou a enteada de "Seis Personagens em Busca de um Autor", já nos anos 80.
Mas Dina Sfat também surpreendia quando assumia a própria personalidade. A foto em que ela aparecia carregando um cartaz a favor do aborto fez tanto furor quanto o programa de televisão em que ela declarou a um general, sem rodeios, que tinha medo dele e de outros militares. Tudo isso facilitou a pesquisa de Antônio Gilberto, que organizou a exposição de forma cronológica e conseguiu fotografias, programas e críticas de todos os trabalhos de Dina. "Cada peça, novela ou filme vem com uma ficha técnica e fotos de cena, para que o público tenha uma idéia da atriz que ela foi", explica.
"Em cena, ela se entregava ao personagem e conquistava o público com sua força dramática e, na vida pessoal, era uma batalhadora preocupada com a cultura brasileira e a condição de trabalho de quem a produz". Arquivos e coleções - Gilberto começou a pesquisa para a exposição em 1997, já tendo em vista os dez anos da morte da atriz, e percorreu de arquivos de jornais e revistas, da Fundação Nacional de Artes (Funarte, à qual Dina havia doado sua coleção particular, ainda em vida), da Globo (que cedeu capítulos de novelas e outros trabalhos) e do próprio MIS carioca. O ator e diretor Paulo José, marido da atriz e pai de suas três filhas, também abriu sua coleção particular, especialmente da época em que os dois produziam espetáculos teatrais.
O resultado é uma coleção de 94 fotografias em que, além das diversas fases da carreira da atriz, há um painel do teatro brasileiro em três décadas. "Para mostrar o espaço que Dina tinha nos meios de comunicação, consegui mais de cem capas de revistas e jornais em que ela apareceu", conta Gilberto. A atriz era assunto tanto em publicações consideradas sérias, como "Veja" ou "Realidade", quanto em outras mais populares, como "Amiga" ou "Contigo". "Consegui também capítulos editados de novelas como "Gabriela" (em que ela atuou apenas nos 15 primeiros capítulos), "Selva de Pedra" e "Avenida Paulista", pois a Dina, embora se considerasse uma profissional de palco, adorava fazer televisão e a popularidade que esta lhe dava".
Ainda em vídeo, serão exibidos nas salas Janete Clair e Chacrinha, do MIS, as duas últimas entrevistas de Dina Sfat, dadas aos programas "Papo com Ziraldo" e "Advogado do Diabo"
no ano em que ela morreu. "Seão mostrados ainda os quatro figurinos que Rosa Magalhães, hoje canavalesca da Imperatriz Leopoldinense, fez para a peça "A Irresistível Aventura" e receberam o Prêmio Mambembe em 1984", diz o curador da mostra. "Eles estavam com a secretária de Cultura de Curitiba, Lúcia Camargo, que foi grande amiga da Dina".
Por causa desses laços afetivos, a mostra estreou no ano passado em Curitiba e depois foi levada para Tiradentes (MG). No MIS do Rio, onde deve ficar até o dia 3, virá acrescida de filmes em que a atriz atuou (a ser exibidos na semana que vem, na Sala Gláuber Rocha). No ano que vem, será levada para Belo Horizonte e, depois, São Paulo. "Dina Sfat foi uma das grandes damas do teatro brasileiro e, apesar de o material sobre sua carreira ser bastante e bem organizado, é preciso falar sempre dela para reavivar a memória das pessoas", conclui Gilberto.

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