‘‘Apesar da globalização da moda, as estéticas americana e francesa continuam com um oceano de distância.’’ A frase publicada por Anne-Marie Schiro no jornal The New York Times, durante a cobertura de desfiles em Paris neste ano, resume o espírito da exposição American Ingenuity (Ingenuidade Americana), que está em cartaz no Metropolitan Museum of Art até 16 de agosto. ‘‘Os americanos favorecem o sportswear e a simplicidade, enquanto os franceses, com poucas exceções, gostam de se vestir de forma especial’’, continuou.
American Ingenuity retrata o surgimento do sportswear americano nos anos 30 até os 70, após uma ruptura com a chamada ditadura da moda francesa por parte de algumas designers que demonstraram que as americanas deveriam se vestir como sempre quiseram: com roupas bonitas, mas também práticas.
‘‘É a história da magnitude da democracia e a consequência da independência e intrepidez da mulher. O estilo americano, que nasceu do trabalho dessas visionárias, é agora predominante na sensibilidade internacional em se vestir’’, diz o curador da exposição, Richard Martin. O sportswear americano surgiu a partir de duas mulheres: a escritora e designer Elizabeth Hawes, que insistiu que o design americano poderia ser superior a qualquer um copiado de Paris, e Dorothy Shaver, que liderou uma campanha da Lord & Taylor em 1932 para identificar e promover os designers americanos.
O sucesso da campanha foi tão grande que naquele ano as indústrias americanas não deram conta de tantos pedidos, e as lojas bateram seus recordes de vendas.
Entre as inovações trazidas pelas designers americanas para facilitar o dia-a-dia da mulher estão os bolsos, até então usados apenas para roupas masculinas, zíperes, drapeados, transpasses, laços e diferentes formas de ‘‘amarrar’’ para acinturar vestidos, além de adaptações para o dia-a-dia de roupas para a prática de esportes.
Nos anos 50, a moda passou a fazer adaptações da roupa esportiva e para a roupa esportiva. Essas adaptações já vinham da idéia da mulher moderna, que pratica esporte, viaja bastante e, portanto, precisa de praticidade e conforto, mas quer se sentir bonita.
No texto preparado para acompanhar a exposição, o curador Richard Martin conta que, nesse período, os designers americanos descobriram a maciez do algodão e todas as suas possibilidades para roupas esportivas, o que incentivou a mulher a praticar esporte e a desejar a beleza física mais natural.
‘‘Agora, o ready to wear torna-se o meio para encontrar a escolha pessoal entre os componentes da moda. Essa satisfação pode também acompanhar um feliz sentimento de economia, de não ter comprado desnecessariamente, mas apenas unidades discretas’’, diz Martin em seu texto. ‘‘O designer de sportswear é a maior mudança na maneira de se vestir do século 20.’’

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