Exposição em Nova York mostra importância do plástico na moda
A importância do plástico na moda e no estilo dos anos 30 é tema de uma nova exposição no museu do prestigiado Fashion Institute of Technology, em Nova York. Innovation/Imitation: Fashionable Plastics of the 1930 mostra a evolução do material na cultura norte-americana em sua época de ouro, analisando trabalhos de nomes como Elsa Schiaparelli, Salvador Dalí e Madame Grés.
A exposição reúne peças de roupas, acessórios, fotografias e objetos criados na época da explosão do plástico. O material, cuja primeira versão totalmente sintética foi inventada em 1906, foi descoberto para o uso na moda e na fabricação de objetos para o dia-a-dia a partir de 1930. Encantados com a maleabilidade e as possibilidades de cores e texturas, profissionais de várias áreas passaram a ir além da simples imitação do marfim, tartaruga e madrepérola que vinha sendo feita.
Até que caísse no gosto popular por conta da produção em massa, no fim da década, o plástico ganhou ar de requinte na alta moda. Entre os destaques da exposição estão os trajes que usam tecidos construídos com celofane. Há um tailleur preto todo feito a partir de um tricô de fibras de plástico, além de uma capa que utiliza uma outra técnica, feita com tiras de celofane entralaçadas com outros materiais. É interessante observar que embora tenha ganhado bastante espaço nos anos 30, este tipo de tecido de celofane não conseguiu voltar ao mercado em outras épocas, explica Jeffrey Trask, um dos coordenadores da exposição.
Também fazem parte da mostra trabalhos feitos por Salvador Dalí para revistas como a Vogue e a Harpers Bazaar. As publicações de moda serviram de fonte de renda para alguns dos surrealistas nos Estados Unidos, que acabaram influenciando estilistas como Schiaparelli e Madame Grés. Há, por exemplo, um editorial da Bazaar chamado Eu Sonho Com Celofane, que mostra o caráter fashion do material nos anos 30. As fotos foram feitas em Paris, no apartamento de Helena Rubenstein, uma das entusiastas da inovação que o plástico proporcionou.
Além da evolução do plástico na moda, o mostra analisa também outros usos, como na decoração e no cinema. Das paredes do Radio City Music Hall, em Nova York, aos cenários de filmes como O Picolino, com Fred Astaire e Ginger Rogers, passando pelos objetos de decoração do navio Queen Mary, o material teve uma presença marcante durante toda a década de 30.
A última parte de Innovation/Imitation cobre o início da popularização dos sintéticos, quando indústrias descobriram o potencial da produção maciça e os estilistas começaram a torcer o nariz para a mania. Nesta seção estão botões coloridos e em formatos variados, gargantilhas feitas a partir de bolas de plástico (incluindo uma de Schiaparelli com insetos dentro), presilhas de cabelos e detalhes de bolsas. Um dos atrativos da exposição é o design e as estampas de boa parte dessas peças.
Innovation/Imitation: Fashionable Plastics of the 1930 - The Museum of the Fashion Institute of Technology, Seventh Avenue at 27th Street, 10001-5992, tel. 001-212-217-5800. Até 1º de agosto.Arquivo FolhaO plástico, cuja versão totalmente sintética data de 1906, brilha até nas passarelasGuto Barra
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