Exposição em Madri abre as portas para a arte brasileira
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terça-feira, 08 de fevereiro de 2000
Por Maria Hirszman 
São Paulo, 08 (AE) - Será aberta amanhã (09) à noite em Madri a 20.ª edição da Arco, feira de arte contemporânea espanhola, que conta com expressiva participação brasileira. Desde 1987, quando a Arco homenageou a arte latino-americana e mais de 60 artistas do País participaram do evento, o Brasil não tinha uma representação tão significativa em uma das maiores mostras de arte contemporânea do mundo. Pelo menos essa é a opinião do crítico e vice-curador da Bienal de São Paulo, Adriano Pedrosa, que há alguns anos ajuda a direção do evento espanhol a selecionar os artistas e galerias que participarão da feira.
Isto porque o Brasil não está presente apenas no espaço comercial da mostra, que este ano homenageia a Itália, mas também nos segmentos dedicados à arte de vanguarda. Além disso, o País estará representado nas palestras e debates que ocorrem ao longo dos seis dias de funcionamento da feira e que em parte são responsáveis pela elevada frequência de críticos, colecionadores e diretores de importantes instituições. Além do próprio Pedrosa, que participa de uma mesa sobre a arte do Cone Sul, foram convidados para esta edição três colecionadores brasileiros de arte contemporânea: Isabella Prata, João Carlos Figueiredo Ferraz e José Olympio da Veiga.
A Arco também estará prestando amanhã uma homenagem ao marchand Marcantonio Vilaça, morto no primeiro dia deste ano. Grande responsável pela divulgação da arte brasileira no exterior, o marchand chegou até mesmo a fazer parte do conselho internacional da feira madrilenha. Apesar da sua ausência, a sua galeria estará presente na feira com o mesmo empenho, levando para a Espanha obras de cerca de 20 artistas. Mesmo reconhecendo que não é uma batalha fácil, a sócia de Vilaça, Carla Camargo, promete dar continuidade ao trabalho que vinha sendo desenvolvido pelo marchand.
Para isso decidiu profissionalizar a galeria e contratou os curadores Marcia Fortes e Ricardo Sardenberg para ajudá-la. Bloco coerente - Três artistas brasileiros estarão participando do segmento "Project Rooms" - uma série de exposições individuais de artistas selecionados por um comitê de curadores. Este ano, os convidados brasileiros foram Franklin Cassaro, Laura Lima e Cabelo. Curiosamente, os três trabalham com uma linguagem próxima à da performance. "Acho que escolheram muito bem", diz Pedrosa, lembrando que os três artistas formam um bloco coerente, "trabalhando sempre a questão dos limites da linguagem artística". Cassaro e Laura Lima estarão também representados nos estandes de suas galerias (Baró Senna e Casa Triângulo) na feira.
A Galeria Baró Senna, que foi inaugurada há apenas quatro meses, é uma das três galerias brasileiras indicadas para participar do segmento "Cutting Edge" (a partir das indicações feitas por Pedrosa) e deverá levar a Madri o trabalho de seis de seus artistas. "É importante fazer um trabalho internacional porque dá uma grande visibilidade, mostra o que os brasileiros podem conquistar fora do País", afirma a marchande Eliane Senna.
As outras galerias brasileiras contempladas pelo segmento "Cutting Edge" (dedicado a galerias jovens ou cujos artistas desenvolvam pesquisas de ponta) são a Valu ària e a Brito Cimino. A Casa Triângulo, cujo perfil se encaixa perfeitamente nesse segmento (do qual já participou em outras ocasiões), decidiu apostar mais alto e abrir caminho entre as grandes. O marchand Ricardo Trevisan - que é apontado na última edição da revista da Arco como um dos nomes em alta no cenário da arte contemporânea - chegou à conclusão de que era o momento de mostrar a seus clientes que seu trabalho vem produzindo frutos, abriu mão do subsídio de cerca de 50% fornecido para quem participa do Cutting Edge e alugou um estande de 60 metros quadrados num dos lugares de maior destaque da feira. Repercussão - "É minha terceira participação na feira e quis apresentar-me como uma galeria estabelecida e não mais como alternativa, até porque não sou mais novo; tenho 11 anos de galeria", explica. Ele lembra que a participação em uma feira como esta não tem um objetivo meramente comercial. Como a Arco atrai curadores e representantes das instituições e galerias mais importantes do mundo, ela funciona como uma supervitrine.
As participações brasileiras em outras edições da Arco e outros eventos de repercussão internacional já renderam frutos. "A arte brasileira está sendo cada vez mais notada e requisitada", diz o galerista. Um exemplo desse sucesso é o convite que Sandra Cinto recebeu para participar de uma exposição coletiva no Centro Georges Pompidou, em Paris. A artista, que teve um "Project Room" na Arco do ano passado, será a única brasileira a participar da exibição "Campos Elíseos", que mostrará como várias gerações lidam com a questão do sonho.


