Exposição de Mies van der Rohe é inédita
São Paulo, 19 (AE) - Mesmo que digam que é racionalista, que é isso, que é aquilo, toda a organização espacial da arquitetura contemporânea deve algo ao arquiteto alemão Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969), a grande vedete da 4.ª Bienal Internacional de Arquitetura. Quem diz é o arquiteto Marcelo Ferraz, curador (com Fernando Vázquez) da exposição de Van der Rohe na mostra.
A exposição de Van der Rohe foi sugerida à bienal pelo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, que enfrentou problemas tão grandes quando a fama do arquiteto para organizar uma exposição. Primeiro problema: a maior parte da obra de Rohe está em poder do Museum of Modern Art de Nova York (MoMA), que só permite a saída de 5% desse acervo. "Nós tentamos, mas eles pediram US$ 14 mil para liberar seis desenhos e aí se tornou inviável", diz Ferraz. A saída foi produzir uma mostra inteiramente no Brasil. O instituto contratou um fotógrafo para, durante um ano, fotografar as obras de Van der Rohe na Europa e no México. O resultado, mais as cadeiras da Forma (fetiches da produção de design do artista) são os hits da exposição, 100% produzida no Brasil.
A mostra ocupa um espaço de aproximadamente 900 metros quadrados, onde serão exibidos mais de 80 painéis - com 90 fotos
textos e desenhos - de seus mais significativos projetos e obras construídas. Além disso, há maquetes dos edifícios de Mies
assim como exibições de produtos videocomputadorizados (maquetes 3D, acesso a informações via Internet, vídeos e diapositivos).
Por fim, haverá o lançamento do primeiro livro publicado em português sobre a obra de Mies van der Rohe, que está sendo editado pela Editorial Blau de Lisboa, e a construção de uma maquete em escala natural de uma parte do Pavilhão de Barcelona, que funcionará como hall de entrada da própria exposição.
Em 27 de março de 1886, em Aachen (Alemanha), nascia Ludwig Mies Rohe, que mais tarde seria conhecido como Mies van der Rohe, um dos mais importantes e influentes arquitetos do século 20. O jovem Mies, que era filho caçula de um marmorista, educou-se na Escola Católica da Catedral e posteriormente na Escola de Artes e Ofícios, trabalhando, em seguida, durante quatro anos, como desenhista em vários pequenos escritórios de sua cidade.
Em 1905, com 19 anos, mudou-se para Berlim e começou a carreira, trabalhando como desenhista para Bruno Paul, arquiteto e decorador de Dresden. Em 1907, fez sua primeira casa, para o filósofo Alois Riehl. Em seguida, trabalhou com Le Corbusier e Walter Gropius no escritório de Peter Behrens.
Só em 1912 abriria seu escritório. Ali, o primeiro projeto do arquiteto foi o palacete Krller-Muller, que não chegou a ser construído. Em 1913, Mies casou-se com Ada Bruhn. Convocado na 1.ª Guerra, parou de trabalhar. Em 1919, retomou as atividades, começando a projetar os arranha-céus de vidro que o fariam mais famoso. Uma de suas maiores obras foi o pavilhão da Alemanha para a Exposição Internacional de Barcelona de 1929. Morreu em Chicago, em 17 de agosto de 1969.





