Exposição celebra centenário de Miguel Bakun
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segunda-feira, 29 de junho de 2009
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Pouca gente dos grandes centros paranaenses conhece ou costuma se lembrar da pequena cidade de Mallet, que fica no Sudeste do Estado, a 230 quilômetros de Curitiba. Inesquecível mesmo, do município com pouco mais de 13 mil habitantes, é seu filho mais ilustre: o artista Miguel Bakun, importante nome no cenário paranaense que marcou suas obras na cultura nacional e agora ganha homenagem no centenário de seu nascimento, com a exposição e o livro ''Miguel Bakun: A Natureza do Destino''.
''O objetivo é fazer o público ver, por meio dessa exposição, as obras de um artista autodidata que se destaca pelo modernismo espontâneo'', destaca a curadora da mostra, a artista plástica Eliane Prolik. ''Esse projeto (livro e exposição) começou em 1999 quando estava fazendo pós-graduação em História da Arte do Século XX, na Embap (Escola de Música e Belas Artes do Paraná). Quando comecei não tinha pensado nisso, mas coincidiu que neste ano comemora-se cem anos do nascimento do Miguel'', diz.
Miguel Bakun nasceu em Mallet em 1909 e destacou-se na pintura a partir dos anos 30. Sua morte por suicídio em virtude de depressão ocorreu em 1963. Trabalhou em Curitiba, onde pintou murais da residência do governador Moysés Lupion, atual Castelo do Batel, e além das exposições individuais, ganhou reconhecimento especialmente na região da Capital, com premiações no Salão Paranaense de Belas Artes e Salão de Belas Artes da Primavera do Clube Concórdia.
''Ele tinha uma noção diferente de pequena escala e uma paleta de cores restrita, mas ainda assim com uma singularidade autoral muito forte. O uso do amarelo e do azul para formar vários verdes, as cores rebaixadas e a criação do espaço sem noção de perspectiva são algumas características do Miguel. As pinturas, que têm um pouco da melancolia e timidez dele, criam um espaço que não se entrega facilmente, exige um esforço de quem vê'', define Eliane.
O livro homônimo da exposição tem 112 páginas com mais de 60 obras de Bakun, além da cronologia, referências e ensaios críticos, assinados por especialistas como Ronaldo Brito, Artur Freitas e Nelson Luz.
Bastante ligado a Curitiba devido aos seus trabalhos presentes na Capital, Bakun é pouco lembrado no interior. Uma pena, já que suas obras têm grande identificação com o que se vê em Londrina, por exemplo. ''As obras dele são importantes em todo o Paraná e a intenção inicial era de levar a exposição para Londrina e Mallet. Mas não consegui captar a verba e tive que ficar por aqui mesmo. Já tem um pessoal de São Paulo interessado e quem sabe não consigo levar mais pra frente?'', projeta Eliane.
Importante mesmo é manter o material de Bakun vivo para as novas gerações. ''É uma exposição que constitui obra de interesse de pintura constituída, uma herança para o Estado'', completa Eliane.
Serviço
- Miguel Bakun: A Natureza do Destino
Quando - De hoje, às 19h, até o dia 9 de agosto, de terça a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados e domingos, das 10h às 16h
Onde - Casa Andrade Muricy (Alameda Dr. Muricy, 915), em Curitiba
Mais informações - (41) 3321-4786


