Em 1972, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) ousou criar um coro da instituição. Ainda sem uma sala própria para ensaio e nem mesmo um piano, o jeito foi improvisar por um bom tempo na casa da professora de técnica vocal Semíramis Luck, mais conhecida como Mimi Luck, que era funcionária da Coordenadoria de Assuntos Culturais da UEL. Engajada na empreitada durante três anos - ao assumir mesmo sem formação em regência o papel de primeira maestrina do coro -, Mimi Luck lembra com saudades de quando se deparou com o montante de 36 coralistas e viu que a ideia tinha dado certo. "A minha casa 'respirava' música, mas chegou um ponto em que não era mais possível receber tanta gente. Acabamos conseguindo uma sala no Instituto Filadélfia e mais tarde o coro passou a ensaiar no Edifício Júlio Fuganti", relembra.
Em plena forma aos 82 anos, e ainda dando aulas particulares de canto no Rio de Janeiro - para onde se mudou há três anos -, Mimi Luck se sente privilegiada por ter contribuído para a fundação do coro da UEL.
A exposição "Cantos e Encantos: Coro da UEL 40 anos" será aberta nesta segunda-feira, às 19h30, no Museu Histórico, vem justamente homenagear os regentes e coralistas que fizeram parte desta história de sucesso, com diversos prêmios conquistados na área do canto coral. Fotografias, discos gravados pelo coro (em 1978 e 1982), uniformes antigos e até quimonos utilizados na ópera cômica "O Mikado", apresentada em setembro, fazem parte da mostra que marca o encerramento das comemorações dos 40 anos, completados em 2012.

Maestro soberano


Após Mimi Luck colocar o seu cargo à disposição, por acreditar que o coro precisava de um maestro efetivo, Marília Brandão assumiu a regência durante um ano, em 1975, antes da contratação do maestro Othonio Benvenutto. Regente do coro de 1976 a 1990, ele foi responsável por uma importante reestruturação do coro e aprimoramento de repertório, com ênfase na música brasileira de raiz, erudita e folclórica. "Podemos dizer do coro 'antes do Benvenutto' e 'depois de Benvenutto'. Ele foi um marco e fundamental também para a criação da Orquestra Sinfônica da UEL", destaca Mimi Luck, que costuma falar por telefone com o velho amigo, que hoje mora no Tocantins (TO) e está se recuperando de um acidente vascular cerebral (AVC) que teve há alguns anos.

Mimi Luck veio a Londrina para fazer uma pesquisa sobre a história da cultura musical na cidade, ela deverá assumir a partir do segundo semestre do ano que vem uma cadeira na Academia Nacional de Música, no Rio de Janeiro. "Fiquei feliz com o convite e até junho tenho que entregar a monografia para que possa assumir o cargo. Era algo que não esperava", comenta a professora, que esbanja vitalidade.
No Colégio Mãe de Deus, onde também deu aulas de canto, consultou documentos antigos sobre o "celeiro musical" de Londrina, e teve a oportunidade de matar um pouco da saudade dos velhos tempos. "Vim para Londrina recém-casada e minha vida está vinculada à música e a essa cidade. São muitas histórias", ressalta Mimi Luck, que deverá participar da solenidade da abertura da exposição antes de embarcar no mesmo dia para o Rio de Janeiro.

Serviço: Exposição "Cantos e Encantos: Coro da UEL 40 anos" Quando – Abertura na segunda-feira, às 19h30. Visitação de terça a sexta-feira das 9 às 11h30 e das 14h30 às 17h30. Sábados e domingos das 9h às 11h30 e das 13h às 17h Onde – Museu Histórico (R. Benjamin Constant, 900), em Londrina Quanto – Entrada franca Informações – (43) 3323-0082/3324-4641
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